Quando o tema é violência, soa até como injustiça apontar determinada situação como pior ou mais grave que outra. Mas, na retrospectiva dos fatos policiais que marcaram 2006 em Londrina, o destaque negativo foi o poder de ação na região demonstrado pela principal facção criminosa do País: o Primeiro Comando da Capital (PCC) arquitetou sequestros, tentou fixar residência em bairro nobre da cidade, abalou a segurança na penitenciária e teria inspirado acordo de paz entre gangues da Zona Oeste. O ano que acaba será lembrado também pelas cenas trágicas do desabamento da marquise na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e por crimes contra a vida que vitimaram pessoas conhecidas. Estes últimos 365 dias ainda serão lembrados por algumas promessas não cumpridas.
Logo nos primeiros dias do ano, a notícia de um sequestro cometido em Sertanópolis envolveu também Londrina. O cativeiro foi descoberto na Zona Sul e as duas vítimas foram libertadas pela polícia sem o pagamento do resgate. O caso foi tratado como mais um praticado por marginais perigosos mas sem ligação com o crime organizado. No entanto, em novembro, durante o segundo sequestro ocorrido em Londrina - a vítima foi solta antes do resgate ser pago -, a polícia descobriu que o mentor das duas ações era o assaltante Jeferson Elifas da Silva Santos, 28 anos, o ''Latrô''. O bandido seria um dos chefes do PCC e arregimentou seus comparsas por celular, de dentro de uma prisão paulista.
A sigla PCC em Londrina também marcou presença em 22 de novembro, quando o assaltante mais procurado do País e que seria o financiador da facção, José Reinaldo Giroti, 36 anos, foi preso pela Polícia Federal saindo de um hipermercado. Ele estava construindo uma mansão de quase R$ 1 milhão em um condomínio fechado na Zona Sul e pretendia fixar residência em Londrina. Além disso, o PCC deu mostras de seu poder na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) um dia antes da prisão de Giroti. Um mapa detalhado do prédio, incluindo rotas de fuga, foi encontrado na galeria dos presos ligados ao grupo. Em dezembro, um motim comandado por quatro membros da facção fez quatro carcereiros reféns por cerca de 10 horas.
O PCC também fez paradoxos em Londrina: o grupo teria influenciado em julho um ''acordo de paz'' estabelecendo uma trégua na guerra entre gangues rivais da Zona Oeste. Os termos da decisão foram definidos por representantes dos grupos que estavam presos na Casa de Custódia de Londrina (CCL). Os moradores afirmam que a paz continua vigorando.
Mas o ano não foi só do PCC. Em fevereiro, Londrina e todo o País foram surpreendidos pelo desabamento de uma marquise no campus da UEL, que matou dois estudantes que participavam de um congresso científico e feriu outros 22. Dez meses depois, a pior tragédia da instituição continua sem culpados. O inquérito policial está parado desde setembro no Fórum em razão de uma ação que corre na 2 Vara Cível.
Também está por concluir o inquérito sobre a morte do dentista Feis Feres Júnior, 48 anos. Em outubro, o dentista teria atirado contra a esposa - que sobreviveu a dois tiros - e se matado. A conclusão depende do resultado de exames que estão sendo feitos em Curitiba e de depoimentos de testemunhas.
Outro crime ainda cercado de mistério é o assassinato do agropecuarista londrinense, Mário Fuganti Filho, 40 anos, ocorrido em maio. De família tradicional e pioneira de Londrina, foi morto a tiros em frente a porteira de sua fazenda em Ortigueira. A Justiça decretou a prisão de um rapaz que teria sido contratado para matar Fuganti Filho. O suposto matador está foragido e até hoje não se sabe porque ele foi morto nem quem seria o mandante.

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