O primeiro caso de contaminação pelo vírus HIV em Londrina foi registrado em 1984. O primeiro portador identificado foi um homem. Nestas duas décadas a doença se alastrou e hoje já são 1.485 casos confirmados até o mês de agosto deste ano.
Segundo dados do Ministério da Saúde, Londrina ocupa a 70 posição entre 100 municípios com maior incidência de Aids para cada grupo de 100 mil habitantes. Com relação ao número absoluto de soropositivos, o município está na 39 posição. Ontem foi o Dia Mundial do Combate à Aids.
Com o crescimento de casos, o perfil do soropositivo também foi se transformando e hoje a preocupação recai principalmente sobre as mulheres. Na década de 1980 existia uma mulher infectada para cada grupo de 16 homens; hoje essa proporção é de quase uma mulher para cada homem.
Do total de portadores notificados nestes últimos 20 anos, 918 são jovens e adultos (acima de 14 anos) e outros 53 são crianças. A faixa etária dos 35 aos 49 anos, estatísticamente, é a mais vulnerável: dos 70 novos casos descobertos até agosto deste ano, 31 se incluem nessa faixa de idade. A proporção de óbito varia em 35,68% entre os adultos e 41,51% entre as crianças.
Para enfrentar o desafio de reduzir esses números, a Secretaria Municipal de Saúde está investindo na capacitação de profissionais para os 55 postos de saúde de Londrina e treinando professores para trabalhar a prevenção da doença com alunos e com a comunidade escolar.
Existem ainda programas de redução de danos com usuários de drogas de baixa renda, conscientização de homossexuais, travestis, transexuais e profissionais do sexo, assistência psicológica para soropositivos e distribuição de medicamentos.
O Núcleo Londrinense de Redução de Danos, por exemplo, está iniciando o trabalho de abordagens diretas a usuários de drogas nas comunidades onde o acesso à unidade de saúde é precário ou inexistente. O núcleo distribui o ''kit-baque'' (para drogas injetáveis) e o ''kit-crack'' (para drogas aspiráveis). O primeiro contém seringas e agulhas descartáveis, água destilada e recipiente para diluir a droga, preservativos e informativos sobre a doença. O segundo kit dispõe de cachimbo com filtro, protetor labial, preservativos e informativos. A psicóloga e presidente da ONG, Cíntia Helena Santos, rebate as críticas dizendo que o problema não está na droga mas sim no ser humano. ''As formas de prevenção e de tratamento colocadas não atingem essas pessoas que não conseguem abandonar o vício'', aponta.
A Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) foi a primeira entidade criada na cidade voltada para a doença. A psicóloga Márcia Elisa Gonçalves Carvalho avalia que o município conta com bons serviços voltados para atendimento do soropositivo, ''mas ainda não dá conta de atender toda a demanda''.
Outra entidade que trabalha na prevenção e na assistência a portadores do vírus é a ONG Adé Fidan, voltada para o atendimento de homossexuais, travestis, transexuais e profissionais do sexo. Londrina foi uma das pioneiras na distribuição gratuita de medicamentos para portadores do vírus HIV. Em 1996, o município foi o segundo do País a implementar a iniciativa.

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