No início da tarde, o telefone toca. A atendente escuta a denúncia, anota os detalhes e repassa as informações para o sistema de policiamento reservado. Minutos depois, a polícia está nas ruas em busca de armas e munições. Em um terreno baldio na Zona Sul de Londrina, eles encontram - exatamente como foi descrito para a atendente - um fuzil calibre 556, capaz de derrubar um helicóptero, uma submetralhadora calibre 9mm, um revólver 357, que também é de uso restrito, um rádio comunicador e mais de 490 munições.
A ação ocorrida no início do mês foi uma das maiores apreensões de armas e munições deste ano e revela o quanto a participação da comunidade tem sido importante na atuação da polícia contra o tráfico de drogas e até na localização de foragidos. A informação foi dada através do disque-denúncia 181, serviço da Polícia Militar, criado há sete anos para que a população repasse dados sem identificação.
Em Londrina, a central fica no 5º Batalhão da PM e atende também as cidades de Ibiporã e Cambé. Logo ao entrar na pequena sala onde ficam os atendentes do 181, o telefone já começa a tocar.
Antes mesmo de escutar o fato a ser denunciado, a telefonista atende outra linha e pede para aguardar. São minutos de espera até que ela possa atender a todas as chamadas. São mais de 100 ligações em 24 horas.
Do outro lado da linha, uma mulher tenta passar informações sobre uma movimentação suspeita no bairro. Já a funcionária se dedica à tarefa de obter o máximo de detalhes sobre a localização. Com anos de experiência no trabalho, ela conta que ainda há muitas pessoas que ligam, mas têm receio de ser identificadas. ''Explico que os telefones não possuem identificador de chamadas e que elas não precisam dar informações pessoais'', afirma.
Qualidade
Assim que uma denúncia é recebida, a informação é checada e repassada para a tropa. Se necessário, a viatura segue até o local - às vezes sem estar caracterizada - e a partir da confirmação é iniciada uma investigação.
O capitão Ricardo Eguedis, porta-voz da PM, diz que o serviço do disque-denúncia tem registrado um aumento de ligações a cada ano, além da melhora na qualidade das informações. ''Sem o 181, as pessoas tinham que abordar um policial ou uma viatura e os criminosos ficavam sabendo, pois eles têm vários olheiros espalhados pelas comunidades. Com o serviço, isso mudou. A pessoa pode ligar do orelhão, do celular ou de qualquer lugar que ela esteja, sem correr risco. Isso tem motivado as pessoas colaborarem com as denúncias'', diz.
Trote
Como todo serviço telefônico é quase impossível fugir dos trotes. A atendente do disque-denúncia comenta que entre uma ligação e outra é muito comum receber brincadeiras de crianças. ''Quase a metade é trote'', afirma.
Segundo capitão Eguedis, mesmo ao desconfiar que a denúncia pode ser um trote, é preciso checar. ''Uma vez ligaram e denunciaram uma casa, dizendo que no quintal havia uma telha no chão e que se nós cavassemos um metro e meio abaixo dela, iríamos achar drogas. Parecia mentira. Fomos até o local, achamos a casa, encontramos a telha e a droga estava enterrada'', comenta.
De acordo com o porta-voz da PM, a maioria das denúncias está relacionada ao tráfico de drogas e as informações obtidas no 181 não são utilizadas judicialmente, somente como base de investigação. ''A comunidade é que enxerga. Por isso, qualquer informação que chega até nós é muito valiosa. Nós não a usamos judicialmente e sim como base de investigação.''

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