1,6 bilhão de notas serão substituídas
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domingo, 08 de março de 2009
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Com o constante uso e passar do tempo, é comum que cédulas de dinheiro fiquem desgastadas ou até mesmo danificadas. Atualmente existem cerca de quatro bilhões de cédulas em circulação no Brasil e, a cada ano, é necessário renovar 30% desse total. Para retirar as notas velhas de circulação, anualmente, o Banco Central (BC) investe milhões. Neste ano, a instituição deve gastar R$ 200 milhões para repôr cerca de R$ 1,6 bilhão de notas.
De acordo com o BC, as notas de menor valor são as mais prejudicadas. ''As notas mais baixas (R$ 2 e R$ 5) têm vida útil mais curta e duram geralmente um ano porque são as mais usadas no dia a dia. As cédulas de R$ 10 e R$ 20 costumam durar um período de um ano e meio a dois anos. Já as de R$ 50 e R$ 100 têm maior longevidade e chegam a ter até três anos de duração'', disse o chefe do Departamento do Meio Circulante do BC, João Sidney de Figueiredo Filho.
Apesar das permanentes campanhas educativas sobre os cuidados que as pessoas devem ter com o dinheiro, o BC está preocupado com a quantidade de notas que são destruídas prematuramente, seja por falta de cuidado da população, seja de forma intencional, por puro vandalismo. ''Algumas pessoas desenham, fazem rabiscos ou escrevem mensagens nas cédulas. Essas práticas inutilizam 20% das cédulas'', revelou Filho. Somente a reposição de notas danificadas prematuramente oscila entre R$ 35 milhões a R$ 40 milhões por ano.
Conscientização
No entanto, a população parece estar mais consciente do real valor do Real. Pelo menos é o que diz a maioria dos trabalhadores da Feira Livre da Região Central de Londrina ouvidos pela reportagem. Segundo o feirante Osvaldo Canesso, que trabalha há 43 anos no local, as cédulas estão mais bem cuidadas. ''Está difícil encontrar notas muito velhas ou estragadas no comércio; não tenho do que reclamar. Me parece que a população está mais educada. Eu mesmo tenho muito cuidado para as notas não ficarem 'socadas' na carteira'', comentou.
Ainda mais otimista é a feirante Aparecida Rebeque, que realiza um verdadeiro papel de cidadania. ''Hoje em dia, recebo menos notas velhas. Mas, se chega alguma nota rasgada, eu trato de consertar na hora. Tenho até um rolo de duréx reservado aqui na barraca para estes casos. Eu colo antes de repassar ou guardo para trocar no banco'', disse ela, que revela ficar incomodada quando as pessoas entregam notas emboladas ou amassadas.
Para José Roberto Zacarias, a situação realmente está melhor, principalmente depois da retirada das cédulas de R$ 1. ''Normalmente, são as notas mais usadas que apresentam um estrago maior, porém a quantidade de notas ruins diminuiu nos últimos anos. Ainda assim, recebo algumas em má conservação. Mas, dificilmente, repasso essas notas velhas ou estragadas. Os clientes não aceitam mais; estão exigentes'', declarou o feirante, que aproveitou para reclamar da falta de moedas no comércio.
Do outro lado da ponta estão os consumidores. Mesmo não lidando com um volume tão grande de cédulas, parecem compartilhar da mesma opinão. ''Não sei dizer se a qualidade do papel melhorou ou se a pessoas estão mais educadas. Mas percebo que as cédulas estão melhores atualmente. Quase não recebo notas rasgadas ou rabiscadas com aquelas 'correntes'. Para manter a nota, procuro sempre guardá-la esticada na carteira'', salienta a comerciante Maria Elisa Grissoni, que fazia compras na feira.
O mesmo faz o representante comercial César Sonoda, que acredita que a população esteja mudando de comportamento. ''Tenho cuidado com as notas. Se tenho tempo, até as coloco viradas cara a cara'', brincou.
Apesar dos otimistas e cuidadosos de plantão, há quem ainda não veja nenhuma mudança. ''Não percebo nenhuma diferença em relação ao cuidado com as notas. O brasileiro não tem cuidado com o dinheiro, talvez até por uma questão cultural de não ter educação com algo que é de todos'', disse a fisioterapeuta Marcia Maximiano Silva. (Com Agência Brasil)


