Um acidente de trânsito, um defeito num motor de um reservatório e uma possível contaminação prejudicaram o fornecimento de água para cerca de 150 mil pessoas em Londrina, Cambé, Rolândia e Arapongas. A situação dos rolandenses e araponguenses é mais grave, uma vez que a normalização do serviço devem ocorrer apenas na manhã de hoje.
Em Rolândia (Norte), uma caminhonete carregada com óleo diesel caiu da ponte da Estrada Pitangueiras, no Ribeirão Ema, onde fica a estação de captação de água da Sanepar. Com a contaminação, toda a estação precisou ser esvaziada para limpeza de filtros, decantadores, flocuradores e parte da adutora.
A limpeza foi concluída no início da tarde e o sistema de produção normalizado às 15 horas, mas a normalização do fornecimento deve ocorrer hoje. A previsão da companhia é que cerca de 40 mil consumidores possam ter sido prejudicados.
Moradora do Conjunto Domingos Neves, a secretária Nayara Leoni Dutra, 24 anos, comentou que a falta da água não prejudicou o atendimento na clínica onde trabalha. A preocupação dela era com a hora de voltar para casa. ''Não sei como vou fazer à noite para tomar banho e cozinhar.''
A paralisação do fornecimento para a população de Arapongas ocorreu às 9 horas. O problema foi o forte cheiro na estação de tratamento no Ribeirão dos Apertados. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Força Verde e Defesa Civil foram acionados com o intuito de identificar a causa da possível contaminação.
Amostras foram colhidas e seriam analisadas nos laboratórios da Sanepar. Também foi feita a lavagem de equipamentos como adutoras e filtros. O corte no fornecimento afetou entre 80 mil e 90 mil pessoas. Para o gerente da unidade regional de Arapongas Luiz Alberto da Silva, o problema pode ter sido causado por poluentes químicos ou biológicos, como agrotóxicos ou até mesmo algas. A produção seria normalizada às 18 horas de ontem e o fornecimento, hoje.
''Se for possível estabelecer nexo de causalidade e identificarmos a fonte de poluição, o responsável poderá ser penalizado'', alertou o chefe-regional do IAP Carlos Alberto Hirata.
Londrina
A queima de um motor do reservatório localizado no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste de Londrina), ocorrida durante a madrugada de ontem, foi o vilão para a rotina dos moradores de bairros da região e de Cambé. O número potencial de famílias afetadas foi de 5,5 mil. No entanto, o restabelecimento foi rápido e muitos consumidores nem notaram o problema - cerca de cem reclamações foram registradas.
O consumo médio das famílias, de acordo com o gerente regional em Londrina Sérgio Bahls, é inferior a 500 litros por dia. Portanto, as casas que possuem reservatórios com esta capacidade ou ainda maior não chegaria a ser afetadas. ''Direta ou indiretamente, os problemas podem ter sido causados pela tempestade de quarta-feira. Tanto o acidente quanto a enxurrada que pode ter arrasatado o poluente para o ribeirão'', avaliou Silva.

mockup