15 anos sem Estela Pacheco
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem Local
O júri popular do Caso Estela Pacheco já foi adiado cinco vezes e permanece sem data definida. Parentes e amigos da professora de música querem rapidez e buscam respostas 15 anos após o crime que chocou a cidade. No início da tarde de ontem, integrantes do Movimento Justiça para Estela protestaram na praça em frente ao Fórum de Londrina. Cinco cruzes marcadas com as datas em que ocorreriam o júri lembraram a demora no desfecho do caso. Reportagens publicadas nos últimos anos foram expostas em um varal improvisado.
O corpo de Estela Pacheco foi encontrado no térreo do Edifício Diplomata, na Rua Paranaguá, região central de Londrina. O crime ocorreu no dia 14 de outubro de 2000. O então namorado da professora, o agropecuarista Mauro Janene, morava no mesmo prédio. Ele é acusado de ter assassinado Estela, na época com 35 anos de idade, e de ter atirado o corpo do 12º andar, de uma altura de 36 metros.
"Foi um grande choque. Eu tinha 14 anos, estava em Adamantina (SP) na casa dos meus primos na semana do feriado prolongado. Era a semana do saco cheio. Minha tia me acordou, falou que a gente precisava ir para Londrina e a gente entendeu que alguma coisa tinha acontecido. Passou o tempo, a ficha foi caindo aos poucos. E até hoje ainda está caindo", comentou a filha de Estela Pacheco, Laila Menechino.
Conforme Laila, advogados de defesa de Mauro Janene ingressaram com um pedido de habeas corpus alegando falhas na condução do processo e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, concedeu liminar e suspendeu a realização do júri que estava marcado para dezembro do ano passado. Desde janeiro, parentes e amigos aguardam a apreciação definitiva do habeas corpus. O medo é que o processo prescreva em 2021 e que o crime fique impune, já que ainda será necessário realizar o júri popular. "Estela era alegre, brincalhona e muito feliz. A Laila precisa de respostas", defendeu a comerciante Marta Franzon, amiga da família.
O movimento criou o site www.justicaparaestela.com.br com uma cronologia dos fatos relacionados ao crime e à vida de Estela Pacheco. No site está disponível uma petição pública que já reuniu mais de 1.900 assinaturas pedindo agilidade no julgamento. O promotor Ronaldo Braga, que estava à frente do caso, passou a atuar no Ministério Público de Rolândia. Rodney André Cessel, que assumiu a promotoria do Tribunal do Júri em Londrina, está em licença até o início de novembro. O promotor substituto, Tadeu Augimeri de Goes Lima, não foi localizado pela reportagem. Já o advogado Mauro Viotto, que defendia o réu, morreu em abril deste ano. O escritório de advogacia informou que o caso foi repassado a outro profissional, que não foi localizado para comentar o assunto.