James Alberti
De Curitiba
Os 140 mil habitantes de Colombo passam a enfrentar a partir da próxima semana um rodízio no abastecimento de água feito pela Sanepar. Entre 10% e 20% da população está sem água há dias. Em alguns locais o abastecimento ocorre apenas à noite. Também há falta de água em Almirante Tamandaré, onde cerca de 15 mil pessoas sofrem com o problema. Em dias alternados, mais de 40 mil pessoas ficaram sem água nos dois municípios, ambos da Região Metropolitana de Curitiba. Em Almirante Tamandaré não haverá rodízio. Segundo a Sanepar, as dificuldades com o abastecimento na cidade devem ser resolvidas em fevereiro, com a ampliação do sistema de abastecimento.
O gerente de distribuição de água da Sanepar para Curitiba e região metropolitana, Celso Luis Thomaz, disse ontem que a falta d’água é provocada pelo aumento do consumo, em virtude dos dias quentes. Em Colombo, onde a situação é mais grave, a Sanepar está impedida por ações na Justiça de retirar água de alguns poços do aquífero Karst, o que teria agravado o problema. A empresa também está impedida de abrir novos poços, pois depende da conclusão de estudos de impacto ambiental, que devem demorar um ano, pelo menos. Até os primeiros meses de 2001, segundo Thomaz, não há previsão de aumento na produção de água em Colombo.
Para realizar o rodízio, conforme o gerente de distribuição, a cidade de Colombo será dividida em cinco regiões. Cada uma delas ficará sem água por um dia a cada cinco dias. ‘‘As pessoas que têm água devem entender que elas podem reduzir o problemas daquelas que não têm’’, afirmou Thomaz. A Sanepar tem usado treze caminhões-pipa para levar água até moradores.
O serviço não chegou à casa do soldador Edson Aparecido Santos, 39 anos, morador da Vila Nova, bairro Jardim Ozasco, em Colombo. Às 15 horas de ontem, com um balde na mão, ele caminhou uma quadra até chegar à casa um de vizinho para pegar água em uma ‘pica’. ‘‘É o único lugar que a gente se salva’’, disse. ‘‘Vem gente de todo lado.’’ A fonte d’água se tornou ponto de romaria dos moradores da região. Filas se formam de pessoas em busca de um pouco de água para fazer comida, lavar roupa, tomar banho e beber. Velhos, mulheres e crianças fazem até dez viagens ao dia até a fonte, que fica ao lado de uma casa na base de um moro na Rua Rio Negro.
Crianças como Laudiane Santos, 6 anos, e Cíntia, 4 anos, que ontem esperavam pacientemente na fila para pegar uma chaleira e uma bule de água. ‘‘É para beber’’, disse Laudiane. A adolescente Rosane Alves de Eleodoro, 15 anos, pegava água para lavar a louça. ‘‘A gente usa para tudo. É o único recurso’’, diz ela, que deixa de pegar numa fonte perto de casa por a água é suja. Ao contrário da maioria dos moradores, que não perdem a calma com o drama, o servente Antonio Carlos Ribeiro, 26 anos, está indignado. ‘‘Taí a nossa Sanepar’’, disse. ‘‘Se a gente não pagar a conta, eles cortam a água em 24 horas e não querem saber se tem água ou não.’’
Hoje, por motivo de obras nas redes, a Sanepar suspende o fornecimento para 8.500 habitantes dos bairros São Brás, Cascatinha, Santa Felicidade, Santo Inácio e Vista Alegre.Colombo e Almirante Tamandaré sofrem com a falta d’água e o rodízio é a única solução apontada pela Sanepar
Fotos: Albari RosaSOFRIMENTOO soldador Edson Aparecido Santos, 39 anos, morador da Vila Nova, bairro Jardim Ozasco, pega água de uma bica em ColomboCRIANÇASLaudiane Santos, 6 anos, e Cíntia, 4 anos, esperaram bom tempo na fila para pegar uma chaleira de água: ‘‘É para beber’’