Londrina - Tão logo soube que a filha Fernanda, de 10 anos, deveria ser imunizada contra o Papilomavírus humano (HPV), a dona de casa Alessandra Batista a levou a uma unidade básica de saúde (UBS) de Londrina para receber a vacina. "Achei importante para a prevenção", explicou. A menina, apesar de ignorar a causa exata da vacinação, respondeu prontamente ao chamado da mãe. "Eu não tenho medo", disse, sorrindo, durante campanha realizada no fim de semana.
Fernanda é uma das cerca de 11 mil meninas com idade entre 9 e 11 anos – faixa etária ampliada neste ano - que devem receber a primeira dose da vacina no município. A campanha nacional, iniciada na semana passada, não tem data para terminar e o objetivo é ampliar a cobertura. No ano passado, quando a vacina começou a ser ofertada na rede pública, meninas de 11 a 13 anos puderam receber a primeira e a segunda doses. No entanto, a adesão caiu bastante entre as duas aplicações.
Enquanto 9.530 responderam ao primeiro chamado, apenas 3.795 tomaram a segunda dose na cidade. No País, a cobertura caiu de 100% para 58,7% entre uma e outra. A proteção efetiva contra o HPV só acontece com três doses da vacina: a segunda, aplicada seis meses após a primeira, e a terceira, de reforço, depois de cinco anos. Este ano, a meta no Paraná é vacinar 256,1 mil meninas e em todo o País, 4,94 milhões. Também podem ser imunizadas portadoras de HIV entre 9 e 26 anos.
No último sábado, as UBS de Londrina fizeram plantão durante todo o dia para atendimento das garotas. A coordenadora de saúde da mulher da Secretaria de Saúde, Lilian de Fátima Nellesen, explica que não há data limite para o término da campanha e que a vacina será disponibilizada rotineiramente. Apesar de o Ministério da Saúde não ter fornecido material gráfico este ano, a equipe tem intensificado a divulgação com apoio da mídia e nas próprias UBS. Um balanço sobre como está a vacinação das meninas em Londrina deve ser divulgado na próxima sexta-feira. "É uma vacina importante na prevenção do câncer de colo de útero. Ela já era disponível na rede particular e, agora, o Ministério da Saúde garantiu na rede pública", destacou.
A coordenadora da UBS Vila Ricardo, Talita Alves, diz que a abertura no sábado até as 17 horas teve como objetivo receber garotas que estudam durante a semana ou que gostariam de ser acompanhadas pelas mães que trabalham. Ela ressalta a importância da imunização para o futuro. "O câncer de colo de útero não é uma preocupação na infância, mas, na vida adulta, quando elas começam a se relacionar sexualmente", explicou. A dona de casa Isabel Cristina Quadros recebeu um recado da UBS da Vila Portuguesa na própria residência sobre a possibilidade de vacinação da filha Maria Eduarda, de 9 anos, e atendeu ao chamado.
"Achei importante. Com o sistema de saúde precário que a gente tem, precisa prevenir", afirmou. Ela defende que as mães fiquem atentas às datas de vacinação e às possibilidades de prevenção de doenças, visando um futuro mais saudável para as filhas.
A bióloga Thaciana Cimitan também não teve dúvidas quanto a vacinar a filha Ana Carolina, de 11 anos. "Eu sou formada em biologia, dou aula na área da saúde, sei todas as consequências e acho que a vacina é importante", ressaltou. Segundo ela, a injeção não amedronta a filha. "Todo ano a gente dá vacina contra gripe, então ela já está acostumada com o processo."

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