11% dos partos no Brasil são prematuros
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sexta-feira, 09 de agosto de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - A vendedora Silvia Aparecida de Souza de Deus passa cerca de 12 horas na UTI Neonatal do Hospital Universitário (HU) em Londrina, ao lado das filhas Thalita e Thalia, nascidas prematuras no dia 27 de julho. Com pouco mais de 1 quilo e 100 gramas, as gêmeas que vieram ao mundo com 31 semanas de gestação precisam ser monitoradas o tempo inteiro até ganharem peso e ter alta. Aos 41 anos, Silvia sabia que a gravidez era de alto risco. "Nunca imaginei que iria engravidar com esta idade. Fiz todo o pré-natal certinho, mas ao longo da gestação tive complicações no rim e pré-eclâmpsia (hipertensão) e elas acabaram nascendo antes do previsto", conta ela, que é mãe adotiva de uma garoto de 11 anos.
Silvia faz parte de uma estatística preocupante de partos prematuros. Um estudo publicado recentemente aponta que 11,7% dos partos feitos no Brasil ocorrem antes da gestação completar 37 semanas. Intitulado "Prematuridade e Suas Possíveis Causas", referente a 2010, o levantamento também revela que as regiões Sul e Sudeste apresentam os maiores percentuais de prematuridade, com 12% e 12,5% respectivamente.
O estudo foi coordenado pelo Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (RS), com a participação de outras 12 universidades. Os dados também colocam o Brasil na 10ª posição entre os países onde mais nascem prematuros.
"Um bebê prematuro tem imaturidade pulmonar, do sistema nervoso e de retina, além de outros problemas que podem surgir, pois como eles ficam muito tempo internados podem, portanto, contrair infecções devido à baixa imunidade", analisa a médica Ligia Lopes Ferrari, chefe da UTI Neonatal do HU.
Desde a implantação da UTI na década de 90, o hospital tem sido referência no atendimento de gestação de alto risco. Dos 900 a 1 mil partos realizados por ano na instituição, 40% são prematuros.
Na experiência do dia a dia, Ligia comenta que são diversos os fatores de risco, como hipertensão grave, partos prematuros anteriores, idade avançada ou precoce, alterações na placenta, diabetes ou qualquer outra doença apresentada durante a gestação. "Porém, as causas principais são as infecções, como a urinária e periodontal", afirma.
Ainda de acordo com a médica, apesar de em algumas situações ser impossível evitar um parto prematuro, dentro das principais causas um pré-natal bem feito pode garantir uma gestação completa, de 40 semanas. "Se for detectada, por exemplo, uma infecção urinária no tempo correto, é possível tratar e evitar a prematuridade", diz.
Além disso, a gestação gemelar também é considerada um fator, "pois o útero vai aumentando e desencadeia, geralmente, um trabalho de parto antes de 37 semanas". A auxiliar administrativa Aline Samora Batista, de 30 anos, é um exemplo. As gêmeas Beatriz e Luiza, nasceram prematuras de 30 semanas. Agora, com 24 dias de vida estão prestes a ir para casa. "Fiz o pré-natal desde o início. Tive uma gravidez perfeita, sem nenhuma complicação, mas não consegui segurá-las mais", comenta.
Conscientização
O estudo realizado também indica que a prematuridade é a principal causa de morte de crianças no primeiro mês de vida. Segundo a Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa), no Brasil, a taxa de mortalidade de crianças abaixo de 1 ano é 16 para cada mil nascidos vivos. Outro dado é que aproximadamente 8% dos bebês nascem com menos de 2,5 quilos. O fumo e a hipertensão são os fatores principais para o baixo peso.
Para Ligia, a conscientização da população sobre os fatores de risco e o pré-natal adequado são essenciais para reduzir os partos prematuros e consequentemente a taxa de mortalidade infantil. "Muitas mães começam o pré-natal tardiamente, no 4º ou 5º mês de gestação. O que ocorre é que muitas vezes, as gestantes não têm nenhuma manifestação clínica, mas mesmo assim é importante que façam todos os testes necessários. Com o pré-natal regular é possível detectar alguma anormalidade a tempo. Muito importante também é que, diante de uma gestação de risco, o parto seja realizado em um hospital com UTI Neonatal", diz. (Com Agência Brasil)


