105 mil se alistam na 5ª RM
O chefe da Comunicação Social da 5ª Região Militar (que abrange o Paraná e Santa Catarina), tenente coronel Guilherme José Filho, informa que mais de 105 mil jovens, por ano, se alistam nos dois estados. Aproximadamente 67 mil passam pelo exame de seleção e, destes, apenas 1.200 acabam sendo incorporados nas 50 unidades da 5ª RM. ‘‘Mais de 40% dos alistados são dispensados por problemas de saúde. Na verdade, não podemos confirmar, e não temos estatísticas para comprovar, que os jovens estejam buscando o Exército como opção de emprego’’, justifica.
O tenente assegura que estes jovens acabam sendo incorporados porque são ‘‘os mais indicados para atender à demanda do Exército – 95% são voluntários e possuem segundo grau (atual ensino médio) completo. O que temos observado é o aumento do número de alistamentos em janeiro e de jovens do interior que vem à Capital se alistar’’, salienta.
José Filho informa que o salário de um recruta (primeira patente para aqueles que entram no Exército) é de pouco mais de R$ 130,00 e de um soldado engajado (que é absorvido pela corporação de um quartel depois de ser avaliado por seus superiores) chega a R$ 500,00. Dinheiro suficiente para atrair à caserna o ex-pescador Wilmar Cunha, 20 anos, e o eletricista Everson Pereira, 19.
Wilmar era pescador em Guaraqueçaba e preferiu trocar a insegurança dos baixos salários – ‘‘quando ganhava bem, o salário não passava de R$ 10,00 por dia’’ – pela ‘‘melhoria de vida’’ que, acredita, pode conseguir no Exército. Desde o ano passado servindo no 5º Batalhão Logístico, Wilmar faz serviços burocráticos e sonha poder ser engajado.
Mas, para isto ocorrer, Wilmar depende dos conceitos de seus superiores. Por lei, cabos e soldados só podem permanecer nos quartéis por 6 anos. Se pretender prolongar sua carreira militar sem prestar concurso público, ele só poderá continuar no quartel por mais 3 anos e ainda assim, depende da abertura vagas qualificadas (cozinheiro ou corneteiro, por exemplo.
Servindo há 2 anos como eletricista na 5ª Cia. da Polícia do Exército (PE), o catarinense Everson não se arrepende de ter saído de São Bento do Sul. ‘‘Como civil levaria uns 6 anos para conseguir ganhar um salário igual ao que estou recebendo como eletricista da PE (R$ 350,00)’’, justifica. Everson já completou o ensino médio e está confiante no sucesso que pode conseguir na carreira militar. (R.B.N.)

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