1º de maio concentra protestos contra a crise
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sexta-feira, 01 de maio de 2009
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Dia Internacional do Trabalho foi celebrado de diferentes maneiras ontem, em Curitiba. Enquanto a Força Sindical e o governo do Estado comemoravam a data com shows musicais e sorteios de prêmios no Centro Cívico, outros movimentos sociais de defesa dos direitos dos trabalhadores, como Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Paraná (APP), Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), Centro de Apoio às Iniciativas Comunitárias (Caico) e partidos políticos de viés operário como PSOL, PSTU, PC do B, PT e PCB realizaram um evento de protesto, que teve como tema: "Trabalhadores e trabalhadoras não pagarão pela crise".
O evento começou com uma parada em uma ponte sobre o Rio Belém, na Vila das Torres, para protestar contra o que os manifestantes entende ser um "modelo de desenvolvimento capitalista", que estaria trazendo prejuízos ao meio ambiente. Dali, seguiram para o Instituto Santo Dias, que realiza trabalhos sociais, onde promoveram uma reflexão sobre o tema: "O que é trabalho?". O evento culminou com uma manifestação em frente à sede do Centro Integrado dos Empresários e Trabalhadores do Paraná (Cietep), batizado pelos manifestantes de o "reduto dos patrões".
Como foi realizado próximo de uma comunidade de baixa renda de Curitiba - a Vila das Torres -, o evento contou com a participação de diversos catadores de material reciclável, que estariam entre os mais atingidos pela crise. Segundo Adonizeti Silva, do Centro de Apoio Santos Dias da Silva, entidade que mantém uma associação de catadores, o preço da sucata e do material reciclável caiu drasticamente nos últimos meses. "Abaixou o poder aquisitivo deles (catadores) em pelo menos 60%", afirma. Ele cita como exemplo o preço do papelão, que passou de R$ 0,32 (o quilo) para R$ 0,13, e do ferro, que caiu de R$ 0,34, antes da crise, para R$ 0,10. "O prejuízo ficou todo com o trabalhador", avalia.
O deputado federal Dr. Rosinha (PT) também participou do evento que, segundo ele, tinha como objetivo o resgate da memória e o debate da atual conjuntura econômica e social. "Tem que questionar a crise financeira", afirmou o parlamentar, para quem esse tipo de pressão tem o poder de "abalar o atual modelo econômico neoliberal", que estaria prejudicando a classe trabalhadora.
O evento terminou com a distribuição de pão caseiro e bananas entre os manifestantes. Antes de serem repartidos, os alimentos foram abençoados por representantes de movimentos religiosos presentes na manifestação.
As reivindicações das entidades participantes
-Redução na jornada de trabalho sem redução de salários;
-Ampliação dos direitos trabalhistas e sociais;
-Reforma agrária;
-Defesa dos servidores públicos;
-Fim da criminalização dos movimentos sociais;
-Defesa do petróleo nacional;
-Restatização das empresas estatais;
-Mais investimentos em saúde educação e moradia.


