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terça-feira, 30 de novembro de 1999
Por Renato Stancato 
São Paulo, 08 (AE) - A estiagem que reduziu os níveis de água na Hidrovia Tietê-Paraná fez uma das fábricas da indústria de óleos Caramuru, localizada em São Simão (GO), paralisar o esmagamento de soja. A hidrovia é a principal rota de escoamento de farelo de soja da fábrica. Por conta da estiagem, não são embarcados novos lotes de farelo e de óleo de soja desde o dia 28 de outubro. Sem condições de navegação, outros cinco barcos com cargas da indústria ficaram parados no percurso da hidrovia, no lago de Três Irmãos, em Butirama (SP), até sexta-feira. No sábado, uma descarga de águas no lago feita pela Cesp elevou provisoriamente o nível do lago, permitindo que as embarcações prosseguissem viagem.
De acordo com o gerente de Logística da Caramuru, Antônio Ballan, os silos da Caramuru de São Simão, com capacidade para armazenar 20 mil toneladas de farelo, estão abarrotados. "Por isso, paramos de esmagar desde terça-feira e estamos esperando que o processamento recomece esta semana", disse. Segundo Ballan, a empresa esmaga 1.800 toneladas de soja por dia e precisa escoar 1.400 toneladas de farelo diárias a fim de cumprir seus compromissos.
De acordo com ele, a totalidade da carga de farelo costuma ser escoada pela hidrovia até a cidade de Anhembi (SP), por onde é encaminhado para Santos e Paranaguá. O volume de óleo bruto escoado pela hidrovia é menor: apenas 23% vai para Anhembi
a fim de abastecer o mercado paulista, enquanto o restante é levado à unidade de refinação da Caramuru em Itumbiara (GO). Ficaram parados na hidrovia até sexta-feira 6 mil toneladas de farelo e 2.000 toneladas de óleo.
Alternativas - Sem a possibilidade de utilizar a Tietê-Paraná, a Caramuru está partindo para rotas alternativas. Por esse sistema, contudo, a empresa está conseguindo escoar apenas 400 toneladas de farelo diariamente. De acordo com o gerente de Logística, a empresa está utilizando transporte rodoviário de São Simão para Santos e Paranaguá, tendo um aumento de até 30% no custo com frete. Outra rota utilizada pela Caramuru é via Rio Paraná até Presidente Epitácio (SP). "De lá, o farelo é embarcado por via férrea até Paranaguá", explica o gerente.
Segundo Ballan, o trajeto até Epitácio permite apenas o escoamento de barcos com calado menor, ou seja, o volume que pode ser escoado é menor. A Caramuru afirmou que não haverá problema para cumprir os compromissos de exportação para novembro. A situação já é mais preocupante no tocante aos navios a serem nomeados para dezembro: "Não há dúvida de que honraremos nossos compromissos, a questão é a que custo", resumiu Ballan.
Instalada em São Simão em 96, a unidade de São Simão foi uma grande aposta na hidrovia Tietê-Paraná. "Não há uma malha rodoviária desenvolvida na região", comenta Ballan. Nesses três anos, essa é a primeira vez que a empresa tem problemas de logística com a hidrovia. "Mas ainda apostamos no sucesso da navegação", diz Ballan. A empresa ainda não calculou os prejuízos causados pela paralisação da hidrovia.
Oswaldo Rossetto, encarregado da Hidrovia Tietê-Paraná no Departamento de Navegação da Secretaria Estadual de Transportes de São Paulo, disse que apenas um bom volume de chuvas normalizará o trânsito de embarcações na hidrovia. Ele disse que não há previsão de quando isso poderá ocorrer. A expectativa, contudo, é de que o aumento das precipitações dentro de 15 dias colabore para melhorar a situação.
Rossetto disse que a hidrovia continua funcionando normalmente para barcos de menor calado. "A operação está suspensa apenas para grandes transportes de carga, como os da Caramuru", disse.


