Os carrinheiros não são lá muito populares. Incomodam o trânsito no rush, mexem e remexem sacos pretos, espalham papéis pelas calçadas. Isto quando não cantam, durante a lida, alguma música do Roberto Carlos. Graves, agudos e desafinação na madrugada. A cidade estará mais limpa ao amanhecer. Eis que o valor desta gente é reconhecido. Agora estão sob barracão, trabalhando com método e supervisão. No aterro sanitário de Ibiporã, uma imagem emblemática. A operária apanha parte de um telefone. Com sorte, ela completará o que falta e estará plugada à modernidade. Pena seu fio de esperança não sirva para a inclusão definitiva. (Lúcio Flávio Moura)

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