É cada vez mais visível a harmonia perfeita entre concreto e vidro, seja em residências ou em aranha-céus. Num contraponto surpreendente com o concreto, o vidro emite beleza, modernidade e acaba passando a fazer parte da paisagem brasileira.
''Além de bonito, o uso adequado de vidros na arquitetura contribui no desempenho energético das edificações e colabora com a redução do uso de iluminação artificial, ao permitir a passagem de iluminação natural. Além de garantir segurança, eles elevam os níveis de conforto térmico e acústico no interior das construções. Podem ainda manter a transparência, abrindo a construção para os exteriores e favorecer a integração de espaços'', diz a arquiteta Maira Rossi, da Archi [lab] Arquitetura, Arte e Design.
Para Karen Felix, também da Archi, todo cuidado é pouco na aplicação de vidros em uma construção. ''Quando não utilizado em orientações solares adequadas, o edifício se torna um grande consumidor da energia e sobrecarrega o sistema de ar condicionado, além de gerar desconforto a seus usuários.''
A história de amor entre a arquitetura e o vidro demorou para acontecer. Mas o final - expresso nas grandes, médias e pequenas cidades - teve um final feliz. Ninguém sabe onde foi colocada a primeira vidraça, nem quem a trouxe de Portugal. Ninguém afirma com precisão se as primeiras vidraças apareceram em Recife, Salvador ou Vila Rica.
Mas sabe-se, com plena certeza, que foi em Brasília que o reconhecimento e aprovação do uso do vidro ganhou força e atenção. O genial arquiteto Oscar Niemeyer costuma dizer que a arquitetura precisa de conhecimento e técnica, não menos do que ''engenho e arte''. Assim, fez de suas obras, na capital federal do Brasil, lugares funcionais, belos e inovadores.
''Hoje as fachadas dos edifícios são vistas como símbolo de status em prédios de escritórios, seguindo o padrão estético dos grandes centros urbanos mundiais. Com as novas tecnologias de instalação de vidros, hoje é possível se obter uma planimetria perfeita, evitando-se as distorções das antigas fachadas em pele de vidro. Devido a transparência e a leveza, o vidro hoje é um material insubstituível na arquitetura'', comenta Bruno Montosa, arquiteto da Montosa Construtora.
Em um país solar como o Brasil, projetos que ''consomem'' vidro asseguram muitas vantagens. Da iluminação natural dos ambientes à ligação do interior com o exterior, passando pela integração do conjunto arquitetônico com seu entorno geográfico, o vidro é sempre bem-vindo.
''Mesmo sendo bem mais caro que uma fachada tradicional, o uso do vidro acaba compensando por outro lado. Ganha-se na economia de luz, oferece um design e visual bonitos, passa uma imagem corporativa. Há também ganho em conforto e, em se tratando de trabalho, você tem uma vista bacana, um ambiente claro e arejado'', diz Fernão Galindo, engenheiro diretor da Galmo Construtora, empresa que tem como uma de suas características a grande valorização de vidros em seus edifícios corporativos.
Por se tratar de um dos poucos materiais que permitem uma relação de espaço entre os meios interno e externo, ampliando a visibilidade e a segurança, o vidro ocupa lugar de destaque na arquitetura contemporânea.
''Por conta da alta incidência solar, deve-se ficar atento à orientação do edifício. Existem hoje no mercado vidros especiais com propriedades que melhoram o desempenho energético das edificações, como os vidros low-e (baixa emissidade), que possuem um filme protetor que filtra os raios solares e permite a passagem de luz solar. Além destes, existem vidros que atuam não somente no conforto térmico, mas também como uma barreira na entrada de ruído, podendo ser utilizados em coberturas e fachadas. É o caso dos vidros duplos e insulados'', detalha Maira Rossi.
Segurança e acústica
Vidros autolimpantes, com barreira acústica e espessuras corretas para cada projeto. ''Hoje existem no mercado vidros que ficam limpos com a própria água da chuva. Para cada construção há um vidro correto e espessura indicada. Vidros de edifícios corporativos precisam suportar vendaval, um choque com uma pessoa, por exemplo. O sistema de colagem, ou seja, a espessura do silicone, também precisa estar dentro dos padrões de segurança. Esse tipo de projeto é todo pensado e envolve muita gente'', ressalta Fernão Galindo.
Quando associado a um sistema de vedação adequado, segundo Bruno Montosa, o vidro nas fachadas age também como barreira acústica. ''Hoje em dia existem vidros que praticamente isolam o ambiente do som externo, chegando a um isolamento de até 50 decibéis no caso dos vidros duplos laminados. Com certeza os vidros são ótimos isolantes acústicos se bem aplicados''.


Fotos: Archi [lab] e Divulgação

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