TENDÊNCIA - DA COR DA MODA
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terça-feira, 09 de julho de 2013
Elaine Souza<br>Reportagem Local 
Moda e decoração caminham juntos e este 'casamento' não é de hoje. Há tempos o que é luxo no universo fashion também serve de fonte de estudo e pesquisa para decoradores e designers.
"Moda e decoração são ligadas diretamente pelo bombardeio de publicidade e meios de comunicação, pois ambas simbolizam o desejo de expressar o estilo e as vontades de determinada época. As duas se completam e caminham juntas em muitos sentidos, baseando-se nas tendências atuais para compor suas formas, tamanhos, texturas e materiais. Seja nos tecidos, nas estampas, nas cores ou texturas, uma sempre usa característica da outra", comenta a arquiteta Karen Félix, da archi [lab] arquitetura.arte.design.
Moda e decoração bebem da mesma fonte principalmente quando se trata de cores. Apesar dos estilos diferentes, tanto uma quanto a outra ganham influência do mesmo estudo. Segundo a arquiteta Maira Rossi, também da archi [lab], anualmente a Pantone (empresa americana famosa pela "Escala de Cores - Pantone Matching System" ou PMS -, um sistema de cor utilizado em uma variedade de indústrias especialmente a indústria gráfica, além de ocasionalmente na indústria têxtil, de tintas e plásticos) faz uma aprofundada pesquisa em tendências de moda, design e arquitetura para estabelecer qual a tonalidade irá predominar no ano seguinte.
"Como a moda e a arquitetura têm o mesmo papel de expressar o espírito ou as vontades de uma determinada época, estas cores se tornam tendências também na decoração, só que em matérias e formas diferentes. Muitas vezes o que é luxo entre os fashionistas é também fonte de pesquisa e inspiração para arquitetos e decoradores", explica ela.
Azul klein, verde esmeralda, amarelo, preto e branco e o vermelho são cores que neste inverno predominam na moda e também na decoração. Como moda é algo que não dura ou seja o que é moda hoje pode não ser no próximo ano o uso de cores na decoração, que permanece por muito mais tempo, requer cuidados para que não haja exageros e o ambiente fique cansativo. Por isso, conforme Karen, no momento da concepção do projeto, deve-se levar em conta a composição do ambiente como um todo e a importância de identificar o que realmente o cliente necessita.
"Deve-se levar em conta também que, apesar desta correlação entre moda e arquitetura, a moda e as cores mudam a cada estação, mas a decoração fica. Por isso a necessidade de se fazer um levantamento dos reais anseios do cliente, para que o ambiente não siga somente tendências temporárias, mas também os desejos e a personalidade dos futuros usuários".
Maira saliente que, se a estrutura dos ambientes é feita de alvenaria e tijolos, a alma deles são as cores. Segundo a arquiteta, são elas (cores), as responsáveis por dar emoção, estimular sentimentos e dar personalidade à decoração.
"Quando falamos em cores, não falamos apenas das tintas usadas nas paredes ou nos tecidos dos móveis, os materiais também possuem cores características, assim como a madeira e o cimento. Por isso, na concepção de um projeto devemos prestar atenção a todos os materiais e objetos que irão compor o espaço. Um ambiente neutro, com o piso cimentício, por exemplo, pode ganhar vida inserindo objetos menores como almofadas e tapetes coloridos, ou até mesmo aparelhos e móveis em tons fortes", ensina Maira.
Mesmo responsáveis por dar vida e alegrar os ambientes, cores ainda sofrem resistência por parte de muitos. De acordo com Karen, apesar de vivermos em um país tropical e com uma cultura muito rica em cores, o brasileiro costuma resistir ao uso de tons fortes na arquitetura de interiores, dando preferência ao uso de cores claras e neutras, como o branco e o bege.
"Mas o histórico está mudando e fica evidente que as cores que foram destaques do ano nos lançamentos de Milão estão ganhando espaço e começam a influenciar até aos mais conservadores. O fato é que as cores vibrantes bem usadas dão personalidade e quebram a monotonia. Não existe uma regra específica para dar cor a um ambiente, o importante é usar o bom senso e evitar os exageros", recomenda.










