Entre o planejamento, a execução e a finalização de uma obra existe um longo trajeto que envolve o trabalho de diversos profissionais
Ao ver uma edificação pronta, com ambientes esbanjando beleza e modernidade, as pessoas não imaginam o caminho percorrido para chegar até ali. Entre o planejamento, execução e finalização de uma obra existe um longo trajeto, que envolve diversos profissionais e a elaboração de diferentes projetos.
Para chegar a um resultado satisfatório, com segurança e conforto, é importante que o cliente tenha conhecimento dos passos que devem ser tomados, exigindo o que lhe é de direito. ''É necessário dispor de projetos de arquitetura, estrutura, instalações hidráulicas e elétricas, além de outros mais específicos, como instalações mecânicas, luminotécnica, lógica e telefonia, automação, comunicação visual, paisagismo, impermeabilização, alvenaria, cobertura, mobiliário, entre outros'', afirma a arquiteta e urbanista Karina Kreling Ozório, mestre em engenharia de edificações.
Ela alerta que todos esses projetos devem ser compatíveis e lamenta que isso nem sempre acontece, pois a compatibilização não é uma exigência legal. ''A atividade consiste basicamente em analisar se as soluções, geradas em cada projeto específico, podem existir simultaneamente na futura edificação'', explica Karina, ressaltando que quando são incompatíveis devem ser corrigidas ainda no processo de projeto.
A arquiteta destaca que, com o passar do tempo, a complexidade e a quantidade de informações envolvidas nos projetos aumentaram devido ao avanço tecnológico e à demanda dos clientes. ''Entretanto, nem sempre são desenvolvidos e produzidos de modo integrado. De modo geral, os responsáveis buscam as informações básicas para iniciar o seu próprio projeto e trabalham individualmente para finalizá-lo'', aponta.
Segundo ela, projetos incompatíveis, quando liberados para execução, geram desperdícios de material, recursos humanos e retrabalhos. ''Ainda podem exigir que durante a obra decisões sejam tomadas por pessoas que não conhecem o raciocínio empregado pelo autor do projeto, comprometendo a qualidade da solução. Falhas no processo de projeto implicam em falhas na execução e no desempenho de uma edificação, aumentando o custo e o tempo da obra'', ressalta.
Karina esclarece que em projetos de pequenas edificações - como de residências - as incompatibilidades são facilmente detectadas por profissionais experientes, desde que estejam analisando os projetos com essa intenção. Em projetos de edificações de médio e grande porte, porém, a situação é mais difícil. ''Nesses casos, o processo de compatibilização é feito com o auxílio de softwares de desenho que permitem a sobreposição dos projetos'', diz.
Mais abrangente do que a compatibilização é a coordenação dos projetos, atividade já prevista na norma brasileira. ''Um dos papéis da coordenação é promover a colaboração entre as várias especialidades com o objetivo de integrar as soluções que estão sendo geradas'', comenta.
Quanto maior a complexidade do projeto, maior a necessidade do trabalho ser realizado em equipe. ''Desenvolver o trabalho em equipe favorece o processo e melhora a compatibilidade e a integração dos resultados'', afirma a arquiteta, explicando que, além do coordenador e dos projetistas, a equipe pode contar com os empreendedores (cliente, incorporador, construtor) e consultores (legisladores, fornecedores, usuários).
Ela comemora que as novas tecnologias e processos estão avançando em prol da compatibilidade e da integração dos projetos, como é o caso do BIM (Building Information Modeling). ''É possível construir virtualmente um edifício iserindo as informações simultaneamente. Isto permite que o projeto fique totalmente compatível e pronto para a execução'', diz.

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