Psicólogos sugerem que arrumar gavetas ajuda a reorganizar pensamentos. Na visão do feng shui, jogar fora o que não serve mais dissipa a energia estagnada do ambiente. Especialistas em organização afirmam que o excesso de guardados impede uma vida prática. Essas teorias, tradicionalmente colocadas em prática no início de um ciclo, como mudanças de estação, fazem tremer os mais apegados às coisas materiais. Quem não conhece alguém que não se desfaz daquela roupa sem data para voltar à moda? Ou pilhas de papéis velhos?
A home organizer Ingrid Lisboa vive de ajudar pessoas a pôr em ordem a casa toda. A paulistana começou no ramo há três anos, quando descobriu que o tino para organização lhe renderia mais que elogios, mas um negócio rentável.
Hoje, sua primeira preocupação ao visitar um cliente é dar fim aos excessos. ‘’Não há ordem onde existem coisas sobrando, sejam velhas ou inúteis’’. Ela diz que o maior desafio é convencê-los a praticar o desapego com seus entulhos. ‘’Existem os apegados a roupas velhas, a documentos antigos, porém, os mais difíceis são aqueles cuja ligação é sentimental’’. De todas as pessoas que Ingrid já atendeu, um problema em comum foi diagnosticado: o exagero de guardados. ‘’Todo mundo guarda mais do que precisa. Para convencê-los, é quase uma terapia’’, afirma Ingrid, que até já desistiu de casos em que o cliente era materialista demais.

Decifrando o passado
A psicanalista Raquel Plut Ajzenberg, da Sociedade Brasileira de Psicanálise, explica que as coisas ganham significado ainda na infância. ‘’É nessa época que passamos a dar uma representação aos bens materiais. Uma boneca pode lembrar bem-estar, enquanto um simples paninho pode remeter ao conforto’’. É aí que começa o problema. Segundo ela, quando um adulto se vê apegado a um objeto, podemos supor que exista uma ligação sentimental, não apenas de consumo. ‘’É por isso que esse é o grande obstáculo na hora de se livrar de algo’’, esclarece.
Há vários perfis de guardadores e cada um tem suas particularidades, que são objeto de estudo da psicanálise. ‘’É comum encontrar gente que guarda coisa porque se sente mais segura possuindo algo. São pessoas inseguras, que acreditam que precisarão de determinado objeto no futuro’’, diz. A psicanalista alerta que o comportamento obsessivo, a preocupação em guardar objetos, mesmo quebrados e inúteis, sem nenhuma ligação sentimental aparente, pode sinalizar algum tipo de distúrbio. ‘’Nesse caso, é necessário apelar para ajuda médica’’, afirma.
O ato de jogar algo fora não remete necessariamente a um exercício mental. O impulso de renovar os pensamentos não vem da arrumação, mas do significado que é dado à iniciativa. Assim, para que a mudança aconteça internamente não basta seguir a tradição. ‘’O interessante é associar o desejo ao ato. Quando fizer a limpeza de uma gaveta, reflita sobre o que está fazendo’’, recomenda.


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A antiga despensa ao lado da cozinha foi transformada em louçaria, sem portas, no projeto da arquiteta Juliana Meda
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O closet de 15 m2 foi planejado pela arquiteta Juliana Meda em função da quantidade de roupas e acessórios da cliente. De um lado ficaram a sapateira e os nichos para as bolsas; do outro, roupas do marido, separadas por cores. Para quem tem pouco espaço, a arquiteta explica que é possível projetar um closet a partir de 2 m2
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O armário embutido não ocupa espaço no corredor. A estante organiza livros, objetos e peças decorativas. A iluminação pontuada facilita a visualização. Projeto de Juliana Meda para o decorado Privilège, da A.Yoshii
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O louceiro da cozinha aproveita um canto de parede e substitui os balcões. Qualquer ambiente pode abrigar este tipo de móvel, desde que fique próximo da sala de jantar, indica Juliana, que assina o decorado Unique, da A.Yoshii
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Gavetas de vidro com divisórias de acrílico facilitam a escolha de bijus. No projeto de Juliana, o móvel foi instalado no banheiro do casal, mas é possível levar a solução para quartos e closets