Arquitetos e profissionais de áreas afins podem contar com mais uma fonte de pesquisa. Recentemente, a Editora da Universidade Estadual de Londrina (Eduel) lançou a obra ''Um sistema de Ornamento Arquitetônico coerente com uma filosofia dos poderes do homem'', que apresenta e discute o trabalho do arquiteto Louis Henri Sullivan (1856-1924), considerado o mais importante profissional da Escola de Chiacago.
A contribuição deste respeitado profissional norte-americano renovou a arquitetura, sendo possível encontrar suas marcas até os dias de hoje. A arquiteta e urbanista Suraia Felipe Farah, responsável pela tradução da obra, afirma que a pertinência da ''aula'' de Sullivan vai além de composições arquitetônicas e de interiores, inspirando o setor têxtil, de vestuário, moda, design gráfico e ilustrações.
''A necessidade de ornamentar-se é inerente ao ser humano. Diante disso, minha tese de doutorado, concluído em 2003, versou sobre os papéis do ornamento ao longo dos tempos. Na ocasião, fiz a tradução desse texto que traz uma aula que Sullivan legou aos estudantes de arquitetura do Art Institute of Chicago pouco antes de sua morte. Trata-se da proposta de transição entre o ecletismo, que ornamentava as fachadas dos edifícios, e o modernismo, que limpava as fachadas'', explica.
Apesar de Sullivan e seus edifícios serem objetos de estudo há um bom tempo, até o momento o seu texto era desconhecido dos estudantes de arquitetura no meio acadêmico brasileiro.
Ao defender a imagem do arquiteto como artista e criador, indo contra o ecletismo tradicional, Sullivan contribuiu para o desenvolvimento da estética funcionalista. ''Os preceitos funcionalistas que norteiam todas as propostas arquitetônicas são herança de seus ensinamentos, bem como da Escola Socialista de Chicago e da necessidade de reconstruir a cidade após um incêndio ocorrido no final do século XIX, com construções rápidas e mais leves em estruturas metálicas'', ressalta Suraia.
As composições deste respeitado arquiteto norte-americano, de acordo com ela, valorizam elementos arquitetônicos como pilares e envasaduras. ''Percebe-se ainda hoje essa busca pela ornamentação, quer nas peles que revestem os edifícios - que em minha tese chamo de ''citações'' nas fachadas - quer nos papéis de parede das telas de computadores'', diz, destacando que nos dias de hoje, em países europeus, é recorrente o uso de composições nos vedos de concreto em edifícios, como paredes ''tatuadas'' em que as composições já vêm impressas no concreto.

Imagem ilustrativa da imagem NOVIDADE - Arquiteto: artista e criador
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