MOBÍLIA COM AFETO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Walkíria Vieira<br>Equipe NossoDia 
A memória afetiva também está presente em móveis feitos de palhinha, e por isso é comum o objeto de decoração ou usual muitas vezes passar de uma geração para outra, ainda que fazendo um contraponto no ambiente. No caso da Família Vittorello, a herança está no trabalho artesanal que era realiza. As cadeiras são o carro-chefe na ordem dos pedidos, mas outras peças de mobília chegam à Empalhorada Vittorello em busca de um toque bem artesanal, pois assim é o trabalho do casal Maria Aparecida Torres e Claudio Vitorello, que também driblam o tempo atendendo os clientes, mostrando como é o serviço para quem chega e quer conhecer de perto o que viu na revista ou na novela.
Entre as peças de mobília de clientes, destacam-se uma porta de guarda-roupa só com a moldura a ser toda preenchida por palhinha. Há ainda uma cabeceira de cama de casal, bancos de madeira, namoradeiras, entre outros objetos cheios de decoração carregados de memória afetiva. "Muita gente traz a cadeira estofada e troca pela palhinha. Meu filho coloca as opções no photoshop e o cliente decide se quer tudo de palhinha ou só o assento ou só o encosto", diz Claudio.
A palha que vem da Índia é conferida com exigência por ele que não se recorda do pai em outro ofício. "Meu pai e meu avô eram empalhadores e comecei com nove anos e já tenho mais de 50 na profissão. "O quilo da palha original é R$ 1.300, varia de acordo com o dólar e dependendo de cada modelo, fica um trabalho bem mais bonito e que não tem comparação com o nylon, sem falar na resistência. Os artesãos explicam que a durabilidade varia de acordo com o uso, e a palhinha original foi feita para ser usada em ambiente fechado, protegido da chuva e do sol.
Na opinião de Claudio, o artesanato de palhinha é uma profissão para a vida toda e sempre surgem pessoas interessadas em adquirir peças novas ou em reformar as que pertencem à família. O artesão precisa ainda saber se concentrar e foi assim, olhando concentrada e admirando o trabalho do marido que Cida desenvolveu toda a sua habilidade artesanal e há quase 20 anos trama as fibras ao lado do marido. "Com o tempo, você pega velocidade", diz Cida.
Referência no mercado, os empalhadores contam que recebem serviço de todo o Brasil. De acordo com os profissionais, no caso de uma cadeira pequena, empalhada com nylon, o valor cobrado é a partir de R$ 80. Já na palha original, R$ 250. Além da fibra, as ferramentas de trabalho como alicates, morsa - e outros criados artesanalmente como a placa que assopra o pó da madeira e o tornos miúdos que prendem a fibra que está sendo trançada ajudam no trabalho dos artesãos. A Empalhadora Vittorello fica na Rua Goiás, 477 fone: 3029 0181.



