ESTUDO - CAMINHOS PARA O BEM-ESTAR
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de outubro de 2013
Paula Barbosa Ocanha 
A composição dos ambientes podem causar diferentes sensações e sentimentos nas pessoas que chegam ao local. Mesmo sem perceber, alguém pode se sentir angustiado, preso, mal humorado ou, pelo contrário, extremamente confortável, feliz e protegido em um lugar sem imaginar que o motivo é a arquitetura, que pode refletir esses sentimentos subjetivamente, e também de forma diferente em cada pessoa. A chamada psicologia ambiental, ramo da arquitetura que estuda a forma que ela influencia o humor das pessoas, tenta trabalhar com luz, escala das estruturas, elementos naturais e posicionamentos de objetos de forma que todo o conjunto traga bons sentimentos e sensação de bem-estar.
A arquiteta e professora do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Filadélfia (UniFil), Lucy Ana Staut, explica que o conceito da psicologia ambiental, em resumo, considera as sensações fisiológicas e psicológicas de conforto dos usuários no ambiente construído, visando contribuir para o conforto em um sentido mais abrangente. "Podemos identificar alguns elementos arquitetônicos que podem enfatizar o comportamento positivo do usuário e suas relações interpessoais", ressalta.
O primeiro elemento seria o próprio espaço. "Quando ele é flexível e 'generoso', permite adaptações para as diversas circunstâncias e a sua correta apropriação", o que pode aumentar o conforto. A luz também deve ser abundante e difusa, principalmente a natural. "Assim como a utilização de cores claras nos materiais de acabamento e a presença de tetos mais altos, ou mesmo a ausência de tetos e de fechamentos laterais, também atuam na definição dos espaços. O uso desses elementos torna os ambientes mais ou menos confortáveis e adequados a cada tipo de uso".
Outro elemento importante dos projetos é a possibilidade de serem criados "nichos" pessoais, dentro de um mesmo ambiente. "Eles contribuem para que os usuários tenham opção de escolha com relação ao tipo de interação que desejam ter com outras pessoas, possibilitando inclusive a criação de espaços pessoais. Podem ser configurados pelo mobiliário ou por paredes e divisórias. Uso de mobiliário flexível e com diferentes formas de uso, assim como os equipamentos sem fio, que permitem a criação de layouts variados que se adaptam de acordo com as necessidades específicas de cada grupo".
A professora do curso de Arquitetura da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Camila Benini Forbeck, acrescenta que algumas qualidades do ambiente implicam, além das condicionantes da forma, condicionantes sociais, culturais e da inclinação pessoal. "O ambiente considerado desconfortável deve ser estudado afim de serem elencados os problemas que ocasionam tal sensação ao usuário do espaço". No entanto, ela explica que, geralmente, situações de desconforto estão relacionadas às dimensões do ambiente em relação à escala humana. "Ou seja, espaços de tamanhos desproporcionais à função nele exercidas, e também à falta ou ausência de iluminação e ventilação natural".
Influência das cores
As cores e as texturas dos ambientes também influenciam às sensações, segundo Camila. As cores frias, como azuis, verdes e violetas, podem criar efeito relaxante e introspectivo, e as quentes, como vermelhos, amarelos, alaranjados e púrpuras, um efeito excitante e estimulante. "Claro que a cor será trabalhada levando em conta a iluminação que incide em cada espaço ou até mesmo a iluminação artificial que foi pensada para tanto". Segundo ela, os efeitos das cores também podem ser neutralizados, quando compostos com outros revestimentos naturais, como madeira, pedra, muro verde. "É a composição dos elementos arquitetônicos que nos dará as sensações e não somente as cores, ou o revestimento, ou o formato. Quanto mais rica a composição, mais agradável ela se tornará", conclui.









