CONSTRUÇÃO - O antigo que se transforma em novo
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Paula Costa Bonini<br> Reportagem Local
Apesar das novidades e constantes lançamentos que cercam as áreas da construção civil, arquitetura e mercado moveleiro, a ideia de reaproveitar materiais está em alta. Um exemplo claro é a utilização cada vez maior da madeira de demolição, que ao invés de ser desperdiçada e desvalorizada com o tempo, se renova em objetos de decoração, móveis, pisos, estruturas, esquadrias, entre outros. O rústico definitivamente conquistou o seu espaço. E o antigo pode se transformar em moderno, conferindo personalidade ao projeto. Além disso, é uma forma interessante de preservar a história e o meio ambiente.
Com tantas vantagens e esbanjando uma beleza ímpar, é difícil resistir aos encantos dos objetos reaproveitados. Mas existem pessoas que são verdadeiramente apaixonadas por essa tendência. É o caso do artesão Poka Marques, de Londrina. Uma tulha de café de peroba rosa, de 1934, se transformou na casa de 420 metros quadrados em que ele reside com a família há aproximadamente dez anos, na Zona Sul de Londrina. Toda a estrutura é de madeira de demolição oriunda da tulha trazida do Distrito de Irerê, inclusive os pisos e as esquadrias. Mesas, cadeiras, bancos, balcões, entre outros móveis, também são de madeira reutilizada. Os pisos da varanda e da piscina são de cacos reaproveitados. Cada detalhe foi cuidadosamente pensado.
É uma casa alta, com pé direito de sete metros, espaçosa e rodeada por Ipê Rosa e uma variedade de plantas. O maior barulho que se ouve são dos pássaros. Os ruídos que embalam a vida moderna, como de buzinas, sirenes, motores e carros de som, não passam nem perto. ''É mais do que uma casa, é um modo de viver. É um lugar que traz qualidade de vida ao priorizar o sustentável'', define o artesão, que fabrica móveis de madeira de demolição e garante que a procura cresceu bastante nos útimos anos.
A madeira de demolição também vem sendo usada em imóveis comerciais. Um exemplo, em Londrina, é o Restaurante Dona Menina, na área central. O imóvel foi adaptado de seu original, preservando a arquitetura regional em madeira da década de 1950. As antigas paredes foram demolidas e reaproveitadas para a execução de rendilhados (desenhos que se assemelham a uma renda na madeira) e substituição de algumas peças danificadas na área externa. As portas internas também foram reaproveitadas do próprio imóvel demolido e as janelas foram adquiridas em uma demolidora.
Para valorizar a fachada, a peroba rosa foi mantida em cor natural. ''Os proprietários queriam que o restaurante remetesse à casa tradicional de madeira londrinense e que trouxesse à memoria a sensação das casas antigas dos avós'', explica o arquiteto - responsável pelo projeto - Thiago Zani.
Ele ressalta que as áreas externas receberam tratamento de cimento queimado com pigmentação vermelha, para remeter ao 'vermelhão' das casas antigas. O projeto incluiu também o tradicional fogão à lenha.
Economia de até 40%
Uma construção com madeira reaproveitada pode custar cerca de 40% menos do que a obra tradicional em alvenaria. Quem afirma é o arquiteto Thiago Zani, do escritório Zani Arquitetura, de Londrina. Entre as madeiras mais utilizadas, segundo ele, estão a peroba rosa, pinho, canafístula e gurucaia. ''É o projeto que determina qual será a madeira mais indicada e quais serão os cuidados pertinentes. Tudo depende da finalidade'', aponta Zani.
Entre as vantagens da madeira de demolição, o arquiteto destaca o fato de ser um material nobre, centenário, seco e muito resistente, possuindo texturas e cores que valorizam qualquer composição. A madeira pode ser adquirida em demolições, sendo possível reaproveitar assoalho, tábuas, vigas, caibros, entre outras peças. ''A pessoa pode recorrer a uma demolidora, que além do material, oferece janelas, portas, pisos e tijolos reutilizados'', observa.
A madeira de reflorestamento, de acordo com Zani, também pode ser utilizada para os mesmos fins. As mais comuns são o eucalipto e pinus. A diferença é que o material reflorestado precisa ser submetido a secagem e tratamento químico antes de ser aplicado. Existem empresas especializadas no mercado que comercializam o material.
O arquiteto alerta para a necessidade de sempre adquirir produtos que não agridem as florestas tropicais. Para tanto, o consumidor deve comprar materiais que possuam o selo verde. ''Fornecido pelo Conselho Brasileiro de manejo Florestal, o selo pode ser reconhecido internacionalmente pelos consumidores de madeira e produtos derivados como móveis e estruturas para construção civil'', diz.
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