Ao entrar em uma casa é fácil identificar se há uma - ou mais - criança na família. Os sinais mais evidentes são os brinquedos encontrados em diferentes cômodos, as janelas protegidas por telas, poucos objetos de decoração, entre outros indícios. Mais do que alterar a rotina da família, a chegada de uma criança também modifica a arquitetura e a decoração da residência. Afinal, é preciso pensar na segurança dos pequenos e adequar os espaços para que eles possam ficar à vontade.
  Algumas residências são projetadas especialmente para famílias com filhos pequenos. Já outras são adaptadas após a chegada do bebê e conforme o seu crescimento. ‘‘Ao projetar uma residência com crianças sempre levo em consideração alguns aspectos, principalmente a segurança e a funcionalidade do local’’, afirma a arquiteta Cristina Rosa Conte, do escritória Cristina Rosa Conte Arquitetura e Interiores.
  Entre as particularidades desse tipo de projeto, ela destaca as medidas preventivas. ‘‘Basicamente são rede de proteção nas janelas, tapete emborrachado nos banheiros, bordas arredondadas em mesas e cadeiras, protetores de tomadas e portas’’, cita a arquiteta, lembrando que também é necessário projetar os armários de forma que os produtos de higiene e remédios fiquem fora do alcance das crianças.
  Outra orientação da profissional é em alguns casos substituir a vegetação natural por plantas artificiais, visto que algumas espécies podem trazer danos caso sejam colocadas na boca.
  No que diz respeito ao quarto da criança, Cristina pontua que é possível ousar nas cores, papéis de parede e adesivos decorativos.
 ‘‘São itens que facilitam transformar o quarto após alguns anos e não apresentam nenhum risco à segurança’’, explica.
  A arquiteta Alice Prandini, do escritório Alice Prandini Arquitetura, acrescenta que as crianças usam o quarto para muitas atividades e, por isso, é importante visulumbrar a multifuncionalidade do espaço. ‘‘Segurança deve ser prioridade. A criança precisa de um local que promova independência e exploração. Devem ser evitados móveis encostados em paredes próximas de janelas, assim como objetos pontiagudos ou que possam ser derrubados facilmente’’, diz.

Espaço lúdico
  Em residências mais amplas, existem os cômodos específicos para jogos e brinquedos. Normalmente são ambientes cheios de vida, que chamam a atenção pela variedade de cores. A arquiteta Alice Prandini lembra que é importante manter a segurança do local para que a criança possa ficar realmente à vontade, receber amigos e se divertir da sua forma.
  Pensando assim, a contadora Mileni Armentano Mrad Ferrari transformou a sacada de seu apartamento em um espaço lúdico após a chegada da filha Nicole, 6 anos. O espaço foi projetado pela arquiteta Cristina Rosa Conte, que também adaptou os outros cômodos do apartamento. Na cozinha, por exemplo, a bancada de mármore passou a ter quinas arredondadas, assim como as cadeiras da sala de jantar. Alguns objetos de decoração foram retirados da sala, que ficou com aparência mais ‘‘clean’’. Ela optou também por substituir a vegetação natural por uma artificial.
  ‘‘Quando fui procurada os moradores já possuíam alguns móveis e adaptei o projeto às novas necessidades da família’’, explica. Na sacada, ela acrecenta, ‘‘resolvemos criar um espaço funcional para a criança brincar. A varanda foi escolhida por ser bastante arejada e um espaço de convívio da familia, uma vez que fica próximo da churrasqueira e do home’’.
  Cristina procurou não pesar o ambiente utilizando poucos móveis e elementos, a fim de facilitar a limpeza e evitar acidentes e quedas. ‘‘Utilizamos predominantemente a cor branca para que o colorido dos brinquedos se destacasse e para deixar o ambiente visualmente mais leve’’, justifica.


Fotos: Celso Pacheco

Imagem ilustrativa da imagem CAPA - Quando o foco é a criança
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A sacada do apartamento foi transformada em um espaço lúdico. A arquiteta Maria Cristina Conte apostou na cor branca para os móveis, o que destacou o colorido dos brinquedos. A colocação de telas é fundamental para garantir segurança
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O quarto deve promover independência e exploração, por isso, os móveis não podem ter quinas pontiagudas e é interessante apostar em uma decoração atemporal
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Alguns objetos de decoração foram retirados da sala, que ficou com aparência mais ‘‘clean’’. Nesse caso, a proprietária também optou pela retirada do tapete
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A bancada de mármore da cozinha passou a ter quinas arredondadas após a chegada da criança, a fim de evitar acidentes
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Entre as alterações realizadas no apartamento, a arquiteta sugeriu substituir a planta natural por uma artificial, visto que algumas espécies podem causar intoxicação caso sejam colocadas na boca
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Nos cômodos projetados para crianças, inclusive no banheiro, é possível ousar nas cores, papéis de parede e adesivos decorativos