CAPA - PAIXÃO PELO SOM PERFEITO
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quarta-feira, 08 de janeiro de 2014
Paula Barbosa Ocanha<br>Reportagem Local 
Audiófilos são conhecidos como pessoas apaixonadas por música, sendo profissionais da área ou não, que estão constantemente buscando o balanço perfeito entre as frequências dos sons, para que nenhuma se perca no caminho entre aparelho e ouvido. Para esses amantes da música, ter um bom equipamento sonoro não basta. Projetos de arquitetura e acústica são trabalhados em salas inteiras para que o som perfeito seja apreciado pelo audiófilo. Um exemplo desses apaixonados por música é Weber Guimarães, arquiteto de formação, que adaptou uma sala do seu apartamento para que todas as notas do Blues, do Jazz e da música clássica que tanto aprecia sejam as mais puras possíveis, como se realmente estivesse escutando os shows ao vivo.
"Tenho uma ligação de infância com música. Meu pai adorava escutar principalmente música clássica, e eu cresci nesse ambiente, ouvindo até coisas que até não eram muito comuns na época, como Mozart, Tchaikovsky. Não consegui efetivamente trabalhar com música, ou tocar, mas amo música e quis projetar essa sala", explica. Atualmente, o arquiteto trabalha no setor administrativo de uma empresa ligada à área da saúde, e o estresse do dia a dia é amenizado pelas perfeitas notas que consegue reproduzir em seu canto. "Meu trabalho é muito estressante, lido com questões difíceis, muita pressão, e essa sala é meu refúgio. Aqui consigo até pensar no trabalho e tomar decisões difíceis, mas de uma forma muito agradável", garante.
A sala de Weber custou cerca de R$ 20 mil, e conta com equipamentos de som de três gerações vinil, aparelho de CD e media center além de difusores e absorvedores acústicos, tudo calculado para buscar a máxima qualidade sonora. "Tudo nessa sala tem uma função específica. Esses tubos redondos, de diversos diâmetros, são os difusores. Eles servem para que os sons de frequência médias e altas, que são muito concentrados, sejam melhor distribuídos no ambiente. Já os painéis brancos da parede e do teto são absorvedores acústicos, que servem para que os sons graves, de frequência baixa, que são muito difusos, não sejam muito refletidos na sala e se percam", explica. Apesar da formação em arquitetura, ele pondera, no entanto, que a quantidade dos equipamentos e localização delas foi toda calculada por um mestre em projetos acústicos, para que o direcionamento do som, difusão e reflexão fossem satisfatórios.
O consultor de acústica e músico Ângelo Galbiati, reforça que as pessoas cometem muitos erros na hora de comprar os equipamentos sem conhecimento específico. "Quem não é músico e não conhece música não tem o ouvido treinado para fazer esse projeto de acústica. O atendente de uma loja, por exemplo, pode até saber como funciona cada material, mas o uso desses materiais em conjunto não vai funcionar porque o ouvido dele não tem o treinamento para perceber os problemas musicais de uma sala. Assim como o arquiteto que não conhece de música também vai ter dificuldade em fazer esse projeto", ressalta.
Por isso, segundo Galbiati, não adianta sair comprando os equipamentos mais caros e colocando em qualquer lugar, achando que o conjunto vai funcionar de alguma forma. "É importante buscar um profissional com formação técnica em acústica, até porque ele pode reduzir custos. Um absorvedor acústico pode ser substituído por um quadro com revestimento atrás, por exemplo, mas a pessoa precisa ter conhecimento".
Outro ponto importante é o tamanho do ambiente. "A sala é um instrumento musical. Como um violão, que precisa de todas as medidas certas para ter um bom som, uma sala começa a ser boa a partir de cinco metros de largura por oito de comprimento. O ideal é que a caixa de som fique a um metro da parede, e três metros da pessoa que vai escutar a música em um ângulo de trinta graus. Se a sala for maior ou menor, cálculos devem ser feitos para o conjunto ser satisfatório", conclui.




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