CAPA - A nova arquitetura da saúde
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quarta-feira, 08 de agosto de 2012
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
Aquela sensação de entrar em um hospital ou em uma clínica médica e se sentir em um ambiente ''frio'' e totalmente ''sem vida'' ficou no passado. Hoje a realidade é diferente. Os estabelecimentos de saúde estão mais aconchegantes e sofisticados. Isso porque os projetos atuais vislumbram a humanização dos espaços.
Os arquitetos Nádia Diniz e Elcio Mello, da A3 Arquitetura, afirmam que a imagem dos hospitais e das clínicas mudaram nitidamente e que Londrina se destaca nesse quesito. ''A cidade é referência no setor de saúde e está investindo em adequações e atualizações'', ressaltam.
Eles explicam que os projetos dos Estabelecimentos Assistênciais de Saúde (EAS) - que inclui consultórios médicos, clínicas, hospitais, postos de saúde, farmácias de manipulação e locais de distribuição de medidamentos - são norteados por uma norna específica, a RDC 50/2002 (Resolução da Diretoria Colegiada). ''Existem normas, portarias e resoluções que devem ser seguidas nos âmbitos municipal, estadual e federal'', pontuam.
Entre os itens que devem ser incluídos nos projetos estão acessibilidade, controle de infecção e fluxo de pessoas. Os arquitetos esclarecem que esses locais devem contar com rampas, portas em tamanhos adequados, corrimãos nas escadas, barras de apoio, entre outros itens. Para controlar infecções, é necessário utilizar materiais laváveis e desinfectáveis. ''Os lavatórios de mãos devem ser instalados em pontos estratégicos para incentivar a higienização. Normalmente são colocados no hall de entrada dos quartos e corredores de acesso'', dizem os profissionais.
A preocupação com o fluxo de pessoas acontece para evitar cruzamentos indesejáveis, que podem gerar contaminações. ''Todos os projetos devem ser aprovados pela Vigilância Sanitária'', destacam.
E após seguir todas as normas técnicas, o próximo passo é humanizar os espaços. ''Para oferecer conforto buscamos revestimentos que imitam madeira e pedra'', afirmam. Em áreas de circulação e recepções é possível incluir alguns itens de decoração, como o papel de parede lavável.
Entre os estabelecimentos de saúde desenvolvidos por Nádia e Elcio está o Hospital Evagélico de Londrina. Um dos setores projetados foi a Maternidade, que conta com adesivos e pastilhas coloridas nas paredes, deixando o local mais ''leve'' e agradável. ''A maternidade permite um projeto mais flexível, uma vez que as pessoas estão em um momento feliz'', salientam.
O hospital também conta com uma brinquedoteca projetada para as crianças internadas e uma sala de estar para os pais e familiares. ''O objetivo é contribuir com a recuperação dos pacientes e oferecer o máximo de conforto e tranquilidade aos acompanhantes'', afirmam.
Já os dormitórios, onde os pacientes adultos ficam internados, são mais convencionais. ''Utilizamos o MDF amadeirado para os armários e os móveis em geral, pois é um material fácil de limpar e lavar'', revelam.
Pacientes não se sentem no hospital
Basta circular rapidamente pelo Hospital do Coração de Londrina para se deparar com uma agradável arquitetura e decoração de interiores. Os ambientes foram especialmente projetados para que os pacientes não se sintam em um hospital. ''A intenção é transmitir aconchego e tranquilidade. O estilo do nosso projeto foi contemporâneo com toques clássicos'', explicam as arquitetas Mariane e Marilda Baptista.
Cores em tons neutros, que vão do branco às tonalidades crus foram bastante utilizadas. E a sofisticação tomou conta das áreas de circulação e das recepções com espelhos, telas, papéis de parede vinílicos, divisórias de vidro, luminárias de cristais e arranjos de flores. ''As telas utilizadas são de paisagens que transmitem bem estar'', dizem as profissionais do escritório Mariane Baptista e Marilda Baptista Arquitetura & Interiores.
Além da decoração, elas também seguiram as regras técnicas. ''Deixamos espaço para a circulação de cadeiras de rodas e macas e valorizamos os corrimãos nos corredores, escadas e rampas'', explicam, acrescentando que o piso utilizado é adequado para grande circulação de pessoas e não é escorregadio.
Fotos: Celso Pacheco, Marcos Zanutto










