Muitas pessoas confundem os diferentes tipos de jardins. Cada um tem sua especificação e deve ser utilizado de acordo com a necessidade das plantas e de quem cultiva.
As estufas constituem um recurso eficaz para a manutenção de coleções de plantas exóticas ou para o cultivo de espécies que não se adaptam às condições climáticas locais do plantio.
Já no jardim de inverno há a possibilidade de cultivo de plantas de clima mais quente em plena estação frio, adaptado de acordo com a necessidade da vegetação. E esta é a diferença entre uma simples "sala-jardim", onde as plantas têm que se adaptar ao ambiente, que é a definição de jardim interno.
O jardim de inverno típico é praticamente uma peça de museu nos dias atuais. Ele nasceu do cultivo de laranjas em locais fechados na Europa, onde se punham para hibernar os Citrus, os primeiros frutos delicados introduzidos no Velho Continente. Quando chegava o verão, as plantas em grandes vasos eram transportadas para o exterior.
As estufas eram aproveitadas também para o cultivo de plantas ornamentais, como as camélias, e esses "laranjais" começaram a se enriquecer com a colocação de elementos decorativos, como estatuetas, fontes e outros enfeites.
A popularidade do jardim de inverno cresceu consideravelmente a partir de 1844, quando se construiu nos jardins de Kew, na Inglaterra, uma grande estufa quente. Essa iniciativa pioneira fez surgir um grande número de colecionadores de plantas tropicais.
Aos poucos, no entanto, os jardins de inverno foram perdendo seu status devido principalmente ao alto custo do sistema de aquecimento e da mão de obra de manutenção. Além disso, nos países de clima temperado e nas cidades como Curitiba – clima temperado de altitude – onde esse tipo de jardim havia se proliferado, os modernos sistemas de aquecimento central passaram a permitir o cultivo de plantas de interiores sem a necessidade de se construírem jardins de inverno.
Em decorrência desses fatores, os jardins de inverno modernos caracterizam-se pela modéstia. Têm, em geral, o aspecto de uma estufa com uma grande janela voltada para o interior da casa. Para evitar o consumo de energia e, por questões de sustentabilidade, costuma-se cultivar nesses jardins plantas que não exigem muito calor.

Wanda Coelho é professora de paisagismo do Centro de Educação Profissional de Design, Artes e Profissões (Cepdap).

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