Voz e olhos da experiência
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domingo, 08 de dezembro de 2013
Marcos Martins<br>Especial para a FOLHA 
Pelo barulho do motor, o mecânico Adenilson Wagner Cerqueira, sócio-proprietário da oficina mecânica Wabinson, em Curitiba, já sabe que algo e o que está errado com um veículo. Pode ser um problema na correia, a falta de óleo ou outro problema específico em uma peça que o proprietário sequer sabia que existia. Quando o capô é aberto, bingo! O defeito está realmente lá. "São 25 anos de conhecimento, então há coisas que a gente já percebe de longe", orgulha-se. Não é à toa que diversos clientes e amigos trazem carros seminovos para serem avaliados pelo especialista, formado na experiência diária de quase três décadas convivendo com cada detalhe do funcionamento de um carro. "Muitos clientes vêm aqui com um carro, antes de comprar, pedindo uma avaliação. Então nós verificamos os pontos positivos e negativos, para que ele feche negócio com a certeza de que aquela é uma boa escolha", avalia.
"Às vezes a estrutura está bonita, mas quando vamos olhar embaixo do carro ele já foi até emendado", revela. Outros detalhes que não passam despercebidos por Cerqueira são o alinhamento de portas, para-lamas e capô. "Coisas que você só conhece pela atividade constante com esse serviço", analisa.
Outro mecânico com anos de estrada é o proprietário da Almeida Mecânica, Célio Almeida. Ele começou ainda garoto, ao lado do pai, quando "fuçava" entre ferramentas e peças de ferro velho.
No meio de lanternas de Corcel e para-choques amassados de Fusca e Chevete, foi herdando o gosto pelo conserto de carros e a técnica apurada de desvendar defeitos ou consertos mal sucedidos a metros de distância. Hoje, com 32 anos de experiência na área, toca com a ajuda de funcionários uma oficina bastante requisitada pelos clientes.
"Tem gente que faz questão de consertar aqui, mesmo que a fila de espera seja grande", revela orgulhoso. Um deles é o aposentado Carlos Andrade, que já trazia veículos desde a época em que o pai de Almeida, seu Osvaldo, gerenciava a oficina. "Já teve situações em que havia muitos carros na frente e o serviço de uma semana poderia levar até um mês, mas sempre faço questão do reparo ser feito por eles. Pode demorar, mas sei que o trabalho é bem feito e não vai me dar dor de cabeça depois", explica.
Almeida credita a preferência à boa prestação dos serviços. "O cliente precisa sair daqui satisfeito, com os problemas resolvidos, desde a troca de alguma peça, ao serviço de funilaria e pintura, até a avaliação de problemas antes de comprar um carro novo. E nesses momentos a experiência fala mais alto, sem dúvida", opina.
A experiência em concessionárias e lojas de alinhamento e balanceamento foi determinante para que Marcos Antônio, proprietário da Auto Longarina, apostasse em uma oficina exclusivamente voltada para a suspensão dos veículos. "Quando eu era funcionário, via muitas queixas de clientes que diziam ter passado por vários locais e continuarem com problemas e barulhos nos carros. Aí resolvi abrir algo bastante específico", releva.
São mais de 20 anos trabalhando com toda a geometria dos automóveis, o que facilita bastante a identificação dos problemas. "Você já percebe quando tá puxando, se está torto. Às vezes, pela descrição do cliente, é possível identificar o problema, antes mesmo de uma avaliação", revela.
Hoje, Antônio avalia que a escolha foi acertada. "Quem mexe com carro nunca fica sem serviços, porque a demanda é grande e tende a aumentar cada vez mais, por causa do aumento do número de veículos. Mas o serviço precisa ser excelente, para conquistar e fidelizar o cliente", avalia.


