Volta à tona discussão sobre carro de passeio a diesel
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sábado, 03 de setembro de 2011
Maigue Guets <br> Equipe da FOLHA 
Curitiba - A discussão sobre a liberação da comercialização de carros de passeio a diesel no Brasil veio novamente à tona, nesta semana, em debates do 8º Fórum SAE Brasil de Tecnologia de Motores Diesel, promovido pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (Sae Brasil), em Curitiba. O governo brasileiro proibiu a venda deste tipo de veículo em 1976, em plena crise mundial do petróleo. O objetivo era reduzir a dependência do combustível e ainda, incentivar o Projeto Pró-álcool e a produção de carros a álcool no País. Hoje, 35 anos depois, o Brasil é o único país que não permite a venda e uso de carros de passeio movidos a diesel, mas o fim da proibição ainda é um assunto polêmico.
No Senado Federal, um projeto de lei (PLS 6562007), de autoria do ex-senador Gerson Camata (ES) tramita a passos lentos. O projeto foi aprovado em julho de 2009 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e encaminhado para análise da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), tendo sido designado, só em janeiro deste ano, o senador paranaense Álvaro Dias como relator do tema.
No próprio Senado, o assunto encontra resistência, tanto que em março do ano passado o senador Eduardo Suplicy (SP) pediu uma audiência pública para debater o assunto. Movimentos de defesa do meio ambiente e da área de saúde afirmam que com os atuais motores e a baixa qualidade do diesel utilizado no Brasil, o combustível seria muito mais poluente do que a gasolina e o etanol.
Quem defende o uso do diesel afirma que esta realidade mudou. ''Houve uma evolução enorme em termos de sistemas de gerenciamento de motor e de motor. Hoje, com diesel, a poluição não é zero, mas é bastante reduzida. O diesel atende os mais rigorosos controles de emissão'', disse o gerente de Vendas e Marketing Sistemas Diesel da Bosch, Sidney B. Oliveira Junior, durante o evento, que reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros para debater as tendências tecnológicas para redução das emissões de CO2.
Vantagem
De acordo com ele, o diesel tem até uma vantagem sobre a gasolina, ao emitir até 30% menos CO2. Christian Wahnfried, chefe de Engenharia da validação da Bosch, reforça os argumentos. ''Nos últimos 20 anos, a redução de emissão de poluentes pelos carros a diesel foi de 98%'', afirma. O sistema de injeção dos motores, segundo Oliveira, também conseguiu eliminar outro problema apontado nos veículos a diesel, que era o ruído do motor.
Estas qualidades, de acordo com Oliveira, foram fundamentais para levar a Europa a adotar o modelo. Hoje, 57% dos veículos na Europa são a diesel, contra 43% a gasolina. Mas a qualidade do diesel vendido no Brasil ainda está longe dos padrões europeus. Lá, a concentração de enxofre no diesel é de 10ppm (partes por milhão). Nas regiões metropolitanas do Brasil, a concentração é de 500ppm. Algumas capitais, como Curitiba, usam diesel com concentração de 50 ppm, mas no interior a concentração chega a até 1.800 ppm.
A tendência, no entanto, é melhorar. Até janeiro de 2012 a Petrobras deverá fornecer diesel com 50ppm para todas as regiões metropolitanas. E ainda melhorar a qualidade para 500ppm para o restante do País. A próxima etapa é distribuir, a partir de janeiro de 2013, o diesel com 10ppm para todo o País.


