Os bancos ligados às montadoras de veículos têm um saldo a receber de US$ 550 milhões em contratos de financiamentos corrigidos pelo dólar. Segundo a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), o valor corresponde à dívida de cerca de 57 mil clientes que compraram carros pelo sistema de leasing atrelado à variação cambial.
Preocupadas com o aumento da inadimplência que poderia ocorrer com a alta das prestações, as instituições filiadas à Anef - responsáveis por 70% dos financiamentos de carros novos no País - já vinham negociando com seus clientes. A Volkswagen e a Fiat estavam utilizando a cotação do dólar a R$ 1,21 e a General Motors, a R$ 1,24. A Ford operava com R$ 1,25.
Os contratos de leasing em dólar são responsáveis por 5% da carteira de clientes dos bancos ligados às montadoras. Após o anúncio da liberalização do câmbio, que fez o preço do dólar disparar, a maioria das instituições suspendeu a oferta de financiamentos corrigidos pela moeda norte-americana.
Várias pessoas recorreram à Justiça para alterar seus contratos e várias liminares foram concedidas, estabelecendo a correção das prestações pelo INPC. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo, por exemplo, obteve no dia 8 liminar beneficiando todos os consumidores do Estado.
A decisão do juiz José Henrique Prescendo, da 1ª Vara Federal, estabelece que a diferença entre a variação cambial e o INPC deverá ser paga após o término do contrato. Essa medida seria contestada pela OAB.
O leasing, uma espécie de contrato mercantil com opção de compra do bem no final das prestações, não recolhe o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o que atraiu a preferência dos compradores em relação ao Crédito Direto ao Consumidor (CDC).
Em 1996, o sistema respondia por apenas 3% das vendas financiadas pelas montadoras, participação que subiu para 22% no ano passado. A previsão da Anef para este ano é de que fique em 13%.

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