É um carro? Um avião? O Volksrod de Ricardo Dantas desperta algumas dúvidas ao passar pelas ruas. O carro na verdade era um fusca 1972 que foi completamente modificado. ''Queria relacionar o carro com algum avião; como o fusca é alemão, decidi escolher uma aeronave usada pelo país de origem na 2 Guerra Mundial (1939-1945), assim cheguei aos caças Messerchimitt'', disse. Foram três anos desde a ideia do projeto até a etapa atual em que se encontra o carro.
Ricardo, que é designer industrial, começou o projeto fazendo alguns desenhos em rascunhos. ''Procurei materiais na internet, comprei o fusca que serviu de base e encontrei o mecânico certo para fazer todo o serviço'', contou. Ele afirmou que buscou inspiração em revistas canadenses, país onde o estilo Volksrod é mais conhecido. ''Os vidros foram feitos sob medida. Uma parte bem difícil foi rebaixar o teto'', disse.
Ele conta que começou a elaborar o carro no final de 2008 e na mesma semana que desmontou o fusca para dar início ao projeto a empresa em que trabalhava fechou. ''Fiquei preocupado mas recebi um bônus da firma e investi uma parte no carro. Além disso, no ano de 2009 estava desempregado e tive muito tempo para me dedicar à reforma'', contou. A transformação do fusca durou seis meses. Em 2010, de volta ao mercado de trabalho, Ricardo teve menos tempo para se dedicar ao que pareciam ser os últimos pontos da montagem. ''Está andando mas não está pronto, tenho pouco tempo para dar continuidade ao projeto'', comentou. ''Pronto mesmo acho que o carro nunca vai ficar'', completou.
O carro conta com muitos detalhes, todos eles minuciosamente pensados. As cores escolhidas são as mesmas do avião homenageado. ''Azul na parte de baixo para que fosse confundido com o céu quando estivesse voando, e marrom na parte de cima para se misturar à terra quando estivesse no chão'', explicou.
Urbano Santos Almeida foi peça-chave no processo de transformação do carro. Foi ele quem abraçou a ideia de Ricardo e resolveu mudar a ''cara'' do veículo. ''Eu já tinha experiência com carros, trabalho com isso há algum tempo, mas nunca tinha feito um serviço como este.'' O mecânico disse que as medidas do carro foram conseguidas pela internet em sites internacionais. ''O Ricardo traduzia e eu executava o projeto. Deu trabalho, mas ficou legal'', comemorou.
Estes foram alguns desafios de Ricardo para transformar o carro em realidade. Mas dificuldade mesmo ele enfrentou dentro de casa com a esposa Patrícia Yassumoto. Ela conta a história em clima de brincadeira e garante que as dificuldades já foram superadas pelo casal. Apesar disso, afirma que no início foi difícil aceitar a ideia do marido de fazer um carro ''diferente''. ''Na época tínhamos apenas um carro e nós estávamos nos desdobrando para buscar nosso filho pequeno na escola. Para mim era inadmissível que ele investisse no Fusca sendo que eu precisava de um carro para usar no dia a dia'', destaca.
Patrícia, que ainda não simpatiza muito com o Volksrod, enfatiza, porém, que a situação hoje é outra. ''Cada um tem o seu carro e o Fusca só sai da garagem aos finais de semana. O Ricardo e o Vinícius gostam de sair com ele, eu não gosto porque chama muita atenção na rua e isso me incomoda'', justificou.
Ricardo conta que entre os familiares e amigos a briga do casal virou motivo de piada. ''Falam que o fusca é o meu filho bastardo, já que não é aceito pela minha esposa. Foram muitos presentes para contornar as discussões em torno do fusca'', brincou. Patrícia está grávida e espera a chegada de outro menino. ''Deve ser outro admirador de fuscas'', diverte-se ela.

mockup