Nem todos os veículos conseguem nos impressionar pela beleza. Por alguns, o apreço vem após a primeira acelerada; por outros, depois de algum tempo desfrutando o conforto da cabine. Mas com o Fluence foi à primeira vista. Bastou entrarmos no sedã médio da marca francesa em sua versão topo de linha (Privilège) para nos encantarmos com o requinte do acabamento e a beleza do couro cinza dos bancos.
Conhecemos o veículo cedido pela concessionária Formula Renault, de Londrina, em um breve teste na zona urbana. Lançado no final de 2014, o sedã tem diferenciais capazes de agradar o público-alvo e galgar algumas posições em um dos ranking de vendas mais disputados do mercado.
Itens como a chave cartão, que permite controlar as travas e o acionamento do motor de dentro do bolso do motorista. Na versão testada, o sistema trava o veículo e recolhe os retrovisores quando o dono se afasta mais de cinco metros do carro.
O sistema multimídia R-Link, exclusivo do modelo, oferece navegação por GPS e entrada para cartão de memória, USB e auxiliar, câmera de ré integrada e sistemas de assistência para uma condução mais econômica. Funciona bem, mas há quem defenda que o básico e direto Media Nav, de Sandero e Logan, seja mais funcional. A tela sensível ao toque chega pela primeira vez ao modelo, mas fica um pouco distante do condutor, fazendo com que ele saia da posição ideal de dirigir.
O Fluence tem agora a mesma grade frontal dos irmãos menores, moldura cromada nos faróis de neblina e luzes diurnas de LED. Rodas 17 polegadas são exclusivas da versão Privilège. A grande alavanca do câmbio também conta com detalhes cromados e uma bela costura no revestimento de couro. Ele é todo belo, desde o velocímetro digital até o teto solar.
No entanto, como nada pode ser perfeito, o maior problema do Fluence continua embaixo do capô. Apesar da direção agradável, o motor 2.0 Hi-flex tem aceleração lenta. Durante nosso teste, evitamos situações que exigiam arrancadas rápidas, como em cruzamentos, sob pena de não concluirmos a travessia em tempo suficiente - sensação reforçada pelas dimensões avantajadas do sedã. Em altas rotações, o propulsor também é mais barulhento que o desejável, embora o isolamento acústico na cabine seja eficiente.
Em contrapartida, o Fluence vem equipado com controles de tração e estabilidade, que ainda são diferenciais no segmento, embora restritos à versão topo de linha. Requinte, conforto e espaço interno são outras características importantes para o público deste segmento – famílias, em sua maioria - e que não faltam no sedã.
O Fluence tem três versões: Dynamique, Dynamique Plus e Privilège. Apenas na primeira o câmbio pode ser manual de seis velocidades. Nas outras, entra em cena o câmbio CVT sem marcação de marchas. Os preços partem de R$ 69.490 para a versão de entrada e de R$ 85.890 para a todo de linha.

Fôlego

A reestilização já parece ter dado fôlego ao desempenho do Fluence no mercado. Em 2014, ele ocupou a nona colocação entre os mais vendidos do segmento polarizado por Corolla e Civic, com 8.483 emplacamentos. Em janeiro e fevereiro deste ano ele subiu para a oitava colocação, no que pode ser o ensaio de um 2015 mais satisfatório.
Para se aproximar dos japoneses líderes, o Fluence ainda precisa superar nomes como Cruze, Sentra, Fusion e Jetta. Quem sabe ele lança seu encantamento também sobre os rivais?

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