Vida longa à Rural
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sábado, 04 de julho de 2015
Cecília França<br> Reportagem Local 
A Rural Willys Overland surgiu no Brasil em 1956 como um carro para a família e, ao mesmo tempo, capaz de superar os obstáculos das ruas mal cuidadas e das estradas de terra. E na família do mecânico Luiz Carlos Costa, 53 anos, de São Sebastião da Amoreira (Norte Pioneiro), ela vem se perpetuando há três gerações. A exemplar 1958 pertenceu ao avô de Costa e, depois, ao pai, ainda vivo.
"Ele me disse 'se você não for vender, vou deixar com você'", conta o mecânico, que não tem intenção alguma de se desfazer do utilitário.
O modelo ainda conserva o design norte-americano, quando a Rural era apenas montada no Brasil. Segundo Costa, ela funciona normalmente e tem quase todo o interior original, inclusive o cochinil laranja que cobre os bancos. Já na lataria e na grade dianteira cromada, pontos de ferrugem começam a aparecer, denunciando as quase seis décadas de uso do utilitário.
"Acho que é melhor deixar assim, para dizer que é da época; se começar a mudar muito, perde (a característica)", diz o proprietário. Apenas o motor a gasolina, originalmente um V6 2.6 litros, com 90 cv de potência (fabricado nos Estados Unidos e conhecido como "hurricane"), não é o mesmo da época da compra. Segundo ele, com o original não seria possível completar a viagem.
A Rural teve destaque na época por propiciar o transporte de muitas pessoas e ainda preservar a habilidade off road do "irmão" Jeep Willys. O utilitário acomodava seis pessoas, sendo três no banco da frente, e oferecia 2,7 mil litros de compartimento de carga com os bancos rebatidos.
A família Costa utiliza o veículo apenas em ocasiões especiais, como encontros de carros antigos e passeios de fim de semana; para viagens, contam com veículos modernos. No entanto, Costa diz que pretende inverter essa lógica nas próximas férias. "No próximo verão quero ver se consigo descer para a praia com ela, para tirar umas fotos", antecipa, visualizando a pintura azul escuro em contraste com o azul do mar.
A Rural foi a precursora dos SUVs, hoje os modelos preferidos de boa parte das famílias brasileiras. Espaçosa e com a capacidade de jipe para superar obstáculos, media 4,59 metros e oferecia vários porta-objetos. Lançada em 1946 nos Estados Unidos, passou a ser montada dez anos depois em solo brasileiro pela Willys-Overland do Brasil S.A.
Inicialmente, o modelo tinha peças importadas e o mesmo design da versão norte-americana, com a grade dianteira inteiriça ladeada pelos faróis redondos, muito semelhante à do Jeep. A pintura saia e blusa era oferecida nas composições azul e branca, vermelha e branca ou verde e branca. O motor 2.6 vinha associado ao câmbio de três marchas e tração 4x4.
A versão 4x2 chegou apenas em 1964, com alavanca de câmbio na coluna de direção e suspensão dianteira independente, atendendo a uma demanda das estradas brasileiras. Em 1967, a Ford assumiu o controle da Willys no Brasil e, dois anos depois, a Rural oferecia duas versões, básica e de luxo.
Em 1970, entrou em cena o motor 3.0, o mesmo do Itamaraty, que entregava 132 cv de potência. Nesta época, a Ford Rural já contava com concorrentes de peso, como a Veraneio, da Chevrolet. Em 1977 chegou ao fim a história do utilitário, que saiu de linha deixando no mercado sua versão picape, a F-75.
Para a família Costa, no entanto, a Rural Willys Overland 1958 parece ter ainda muita história pela frente, já que o modelo tem destino certo quando deixar a garagem do mecânico. "Ela já está garantida para o meu neto", revela.


