Não são apenas as oficinas de carros que assistem o movimento crescer na reta final do ano por causa das revisões. As especializadas em manutenção de motos também precisam correr para atender os clientes que querem ir para estrada sobre duas rodas. Mas, de acordo com Janério Silva Costa, da Janério Motos, de Curitiba, o comportamento dos proprietários tem mudado. "De uns três anos para cá são poucos os que deixam uma revisão completa para a última hora. Dois, três meses antes os clientes começam a aparecer para um cuidado em itens diversos, reduzindo o desgaste das peças e distribuindo os gastos em várias etapas", analisa Silva. No comando da oficina há cinco anos, ele dá as dicas sobre o que observar antes de sair de viagem com a motocicleta.
O primeiro item a ser avaliado é a relação, nome dado ao conjunto formado por coroa, corrente e pinhão. As peças são trocadas, geralmente, a cada 8 mil quilômetros (km), dependendo do ritmo de uso da moto. "É um dos componentes mais importantes, já que uma corrente gasta, por exemplo, pode romper, travando a roda traseira e provocando a queda do motociclista. Dependendo da velocidade e da pista em que estiver, o acidente pode ser grave", alerta Costa.
O sistema de freios e a condição dos pneus também precisam ser analisados. O óleo do motor, trocado a cada mil km, também está na lista. "Geralmente são cuidados que o proprietário já precisa ter constantemente, mas antes de uma viagem merecem uma atenção especial", avalia. A mão de obra especializada e completa pode ter valores a partir de R$ 300, sem incluir possíveis trocas de peças.
Uma revisão geral é o conselho do gerente de negócios Eduardo Dubinski, que já fez viagens de moto dentro e fora do País. Dono de uma Harley Ultra Classic, ele costuma observar a calibragem dos pneus, óleo do motor e regulagem dos faróis antes de pegar a estrada. "A qualidade das peças e da mão de obra é fundamental, por isso a sugestão é a busca por locais especializados e de confiança, uma empresa que você já conheça", aconselha Dubinski.
Outro item importante é um selante reparador de pneus, também chamado de "vacina", já que o veículo não possui estepe. O funcionamento é simples: a substância é injetada nos pneus e, quando surge um furo, a força centrífuga do pneu em movimento e a pressão interna de ar fazem com que o selante seja forçado em direção ao furo, vazando uma quantidade mínima. As fibras em suspensão do produto se acumulam, compactando e formando inúmeras camadas, até que aconteça a vedação. "Isso permite que haja um deslocamento seguro até um ponto onde o pneu possa ser avaliado ou até mesmo restaurado", explica Dubinski.
A sugestão final é em relação aos acessórios e à documentação. "Roupas, capa de chuva, botas e luva, além do capacete, são indispensáveis e trazem segurança e conforto no trajeto", avalia Dubinski, que já fez viagens de mais de 3 mil km rodados nos Estados Unidos e no Canadá. Aqui no Brasil já foi de Curitiba à serra gaúcha. "O motociclista precisa estar descansado e aproveitar a viagem", resume.
Janério Silva também faz algumas recomendações de segurança. "O segredo é não abusar. Eu sempre digo que o motociclista não tem preferencial, precisa estar sempre atento, com cuidado. Observando tudo isso ele sempre chega em segurança", sugere, com a experiência de quase 30 anos como especialista em motos.

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