Enquanto para os motoristas a viagem de carro é só o trajeto a ser percorrido entre o ponto de partida até o ponto de chegada, para os motociclistas, essa é a própria graça da viagem. Para estes últimos, nada se compara à sensação de liberdade que a motocicleta proporciona
na estrada.
  ‘‘Quem viaja de carro aprecia a paisagem. Quem viaja de moto faz parte dela’’, define Renato Alves, funcionário público e membro do motoclube Road Machine, de Londrina. Como o próprio nome diz, é um clube para quem acredita que motocicletas são máquinas feitas para a estrada.
‘‘É muito gostosa a sensação de liberdade. Em um carro, você fica dentro de quatro paredes’’, acrescenta Leonardo Guerra, engenheiro civil e presidente do motoclube.
  Pelo menos uma vez ao mês eles fazem alguma viagem juntos. Três vezes ao ano, o clube planeja viagens mais longas, como para Aparecida e Campos do Jordão - em São Paulo - ou Balneário Camboriú, Santa Catarina. ‘‘Mas sempre viajamos para pertinho daqui. Final de semana a gente sai para tomar um café em Maringá, por exemplo.’’
  Viajar de moto, no entanto, exige toda segurança. Nem toda motocicleta é indicada para pegar a estrada. As motos adequadas para viagens fazem inclusive parte de uma categoria, a categoria ‘‘touring’’. As motos touring têm mais de 600 cilindradas de potência, ‘‘para viajar com mais conforto’’, explica Guerra. ‘‘A maioria tem 650cc.’’
  No clube, motos ‘‘custom’’ - como a Suzuki Boulevard 1500 ou a Honda Shadow 600 -, ‘‘big trail’’ - Suzuki V-Strom 650, por exemplo -, ‘‘naked’’ - como a Suzuki Bandit 600 ou a Kawasaki Z1000 -, ou ‘‘bike’’ - Suzuki GSX 1000 ou Honda CBR 1000 - predominam entre os estilos de moto touring.
  ‘‘Elas são muito mais confortáveis para viajar’’, observa o microempresário Roberto Teixeira, membro do clube. Geralmente, elas vêm já de fábrica com bauletos para guardar os acessórios. Também são motos mais altas, com pneus que suportam terrenos acidentados, conforme descreve o motociclista.
  Como são feitas para andar por longas distâncias, possuem mecanismo de eixo cardã (sistema de transmissão que substitui as corrente de transmissão). ‘‘As motos de corrente têm que ser engraxadas a cada 150 quilômetros. As touring têm eixo cardã com óleo lubrificando o tempo todo’’, explica Teixeira.
  A autonomia das motos touring é maior, chegando a 600 km nas BMW, consideradas top da categoria pelos membros do clube e sonho de consumo dos viajantes de moto. ‘‘Uma moto de alta performance como a motobike anda a 300km/h, mas em compensação, tem autonomia de 150km’’, compara o microempresário.
  O preço de uma moto touring pode variar consideravelmente. Uma Suzuki V-Strom, por exemplo, custa em média R$ 45 mil, sendo que uma BMW pode chegar a R$ 80 mil, afirma o presidente da Road Machine.

Uniforme
  Antes de viajar, é bom fazer uma revisão completa na moto, com óleo, filtros, freios, pneus, motor e faróis. E também verificar todos os itens do vestuário. Além de uma moto equipada, motociclista da estrada que se preze tem o uniforme completo, que pode custar R$ 10 mil, estima Leonardo Guerra.
  O uniforme completo inclui, no caso dos motociclistas do Road Machine, além dos coletes de couro com o emblema do clube nas costas: capacete de qualidade, bota impermeável com bico de titânio, jaqueta impermeável, luvas com proteção de fibra de carbono, macacão de couro e protetor de coluna, que podem ser encontrados em qualquer loja especializada em motocicletas.
  Para garantir a segurança, eles lembram, é precido manter uma distância de pelo menos 100 metros entre um motociclista e outro, quando a viagem é em grupo.

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