Álcool caro

Parece brincadeira, mas não é. No maior produtor de cana-de-açucar, álcool tem preço de ouro, ou melhor, de gasolina. A 'desculpa', além de que estamos em plena entressafra, é de que o consumo do combustível aumentou assustadoramente, devido ao 'boom' de carros bicombustíveis no mercado (a lei da oferta e procura). Mas, isso não dá para acreditar. Para mim, isso soa a pura ganância. Os usineiros nunca estiveram tão bem nos negócios como agora. O consumo de álcool aumentou, o preço do açucar nas bolsas disparou e as exportarções, dos dois produtos, triplicaram, ou seja, ganha-se por todos os lados.

Só cresce

Mais dados: dos 436,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar produzidas no País, 216 milhões de toneladas servirão para a produção de açúcar e 178,4 milhões de toneladas para a fabricação de álcool hidratado, anidro ou neutro. A área plantada de cana-de-açúcar subiu de 5,6 milhões de hectares na safra 2004/2005 para 5,9 milhões de hectares, na safra 2005/2006. O resultado representa aumento de 5,4%. As exportações de álcool etílic cresceram 10,5% em 2005. As vendas do produto ao exterior representaram um faturamento de US$ 756 milhões, com alta de 51,8% ante os US$ 498 milhões de 2004. Já os embarques de açúcar supera em 11,4% as toneladas exportadas no ano anterior.

Como ficamos

Diante do aumento nas bombas, o governo já admite a possibilidade de intervir no preço do álcool para conter a alta exagerada. Essa solução seria temporária já que, em abril, com a entrada da nova safra de cana-de-açúcar, os preços do álcool na usina deverão cair perto de 30%. Pessoalmente, não gosto do governo interferindo na economia, mas em casos de abuso, é uma das principais armas para a proteção do consumidor. Segundo os usineiros, o custo de produção do litro de álcool nas usinas é de R$ 0,75. Na entressafra, as usinas revendem o combustível por até R$ 1,10 o litro. A diferença de quase R$ 0,70 a mais para as bombas (em Londrina custa R$ 1,79) é a margem de lucro dos revendedores e os impostos que variam de Estado para Estado.



Mais aumentos

E a corrida de preços não é só nos combustíveis. As montadoras também iniciaram o ano com reajustes dos carros novos, depois de registrarem em dezembro o melhor mês de vendas dos últimos oito anos. Os aumentos médios chegam a 1,75% e estão em vigor desde segunda-feira. Mas, nas lojas, há vários modelos em estoque com preços antigos. Veículos da General Motors estão em média 1,75% mais caros. A Volkswagen reajustou seus preços em 1,5%, com exceção do Golf e da Parati, que não tiveram aumento. Carros da Fiat foram reajustados entre 0,9% e 1,5%, mas Marea e Strada também foram poupados. Outras montadoras vão anunciar novas tabelas nos próximos dias. O Mille, carro mais barato do mercado, subiu 1,5% e custa agora, na tabela sugerida pela fábrica, R$ 20.910. Nas lojas, pode ser encontrado a R$ 19.990. Revendas Volks também mantêm preços antigos. O Gol 1.0, que passou a custar R$ 25.439, é oferecido a R$ 24.930.

Melhor dezembro

No ano passado, os preços dos carros subiram em média 10%, ante uma inflação medida pelo IPC/Fipe de 4,53%. Em dezembro, foram vendidos no País 183.642 veículos, volume recorde desde outubro de 1997, quando as vendas somaram 189.022 unidades. Em todo o ano passado foram vendidos 1.714.644 veículos, um acréscimo de 8,6% em relação a 2004. O resultado é o quarto melhor da história do setor. Perde para o de 1995, com vendas de 1.728.380 veículos; para o de 1996, com 1.730.788, e para o de 1997, com 1.943.458.

Fiat na liderança

A Fiat Automóveis voltou a liderar o mercado automotivo brasileiro em 2005, com o emplacamento de 404.815 automóveis e veículos comerciais leves no ano, o equivalente a 25% das vendas de todas as montadoras no País, de acordo com o Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam). O desempenho representa um crescimento de 15,9% nas vendas da Fiat Automóveis para o mercado interno no último ano, superior à marca de 9,6% do mercado. A Strada foi a picape mais vendida do mercado brasileiro, com 40.976 unidades; o Ducato obteve a liderança no segmento de vans grandes; a Palio Weekend foi a mais vendida entre as peruas compactas; o Dobl•, entre as multivans; e o Fiorino Furgão, entre os furgões pequenos.


Gol, de novo

Pelo 19º ano consecutivo, o Gol fechou 2005 como o automóvel mais vendido no mercado brasileiro. De acordo com dados da Fenabrave, de janeiro a dezembro do ano passado o Gol acumulou 179.457 unidades comercializadas, contra 129.862 do Corsa e 126.457 do Palio. Entre os comerciais leves a liderança ficou, pelo segundo ano consecutivo, com EcoSport. Foram vendidas 45.467 unidades do modelo, ante 40.983 das picapes Strada, e 16.729 unidades da Montana. A Fiat fechou 2005 como líder entre as montadoras nacionais no segmento de automóveis e comerciais leves. Obteve 25% de participação, seguida pela GM, com 22,5%, VW, com 21,6%, Ford, com 12,1% e Toyota, com 3,8%.


'Truck of the Year'

A Honda Ridgeline 2006 ganhou o prêmio ''Truck of the Year'' (Caminhão do Ano), organizado pela tradicional revista especializada norte-americana Motor Trend. Desde seu lançamento, em março de 2005, o modelo se tornou conhecido por redefinir padrões no segmento de picapes médias ao acrescentar itens inovadores e exclusivos. Entre as características que pesaram em favor da Honda Ridgeline na premiação estão sua alta performance como rebocadora, a robustez e a elevada capacidade de carga. A Ridgeline traz moto VTEC V6 de 247 cv e câmbio automático.



Por Mauricio Della Barba
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