Vende-se: carro é de mulher!
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sábado, 12 de março de 2005
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
''Corsa GL 1.6 2001, completo, prata, 4 portas, R$ 15 mil, carro de mulher''. É comum ver nos classificados anúncios de venda de veículos com destaque para o fato do proprietário do automóvel ser uma mulher. A expressão que pretende gerar confiança na hora de fechar um negócio, entretanto, não é um fator determinante de venda e divide a opinião tanto de pessoas comuns quanto de profissionais do ramo.
De um lado estão os que consideram os automóveis das mulheres muito bem cuidados e de outro os que apontam detalhadamente os defeitos que podem existir nesses modelos. ''Ser ou não ser de mulher não é um fator de peso. Poucas pessoas levam isso em consideração'', afirma o gerente de usados da Volkswagen Cipasa, Antônio Carlos de Souza. Segundo ele, a idéia de que carro de mulher é mais bem cuidado do que os de homem nem sempre é verdadeira. ''Geralmente elas são zelosas com a parte da limpeza do carro, mas esquecem de cuidar da parte mecânica'', diz.
Pontos como desgaste da embreagem e vários amassadinhos na lataria, por exemplo, são problemas muito comuns entre os carros que chegam à concessionária e que passam por avaliação antes de serem vendidos, conta Souza. ''Mulher quer saber mais da parte estética e o homem quer o carro para andar bem, por isso zela mais pela parte mecânica'', acrescenta.
O gerente de usados da Fiat Marajó, Eduardo Meneghetti, destaca ainda probleminhas como calotas amassadas, maçaneta da porta riscada por causa ''das unhas'' e ressalta o comum desgaste da embreagem. Em contrapartida, segundo ele, automóveis de mulher têm aparência de carro novo, com o acabamento bem mais conservado do que os de homem. ''Isso na verdade não faz muita diferença. Os clientes não chegam aqui e perguntam se o modelo é de mulher ou não. E nós, quando ficamos com algum carro, também não levamos isso em consideração. Olhamos o veículo e analisamos a qualidade das peças e as condições da mecânica em geral'', diz Meneghetti.
O consultor técnico da Cipasa, Carlos Alberto Lopes, concorda com a opinião dos outros profissionais, mas destaca: ''hoje em dia as mulheres têm feito as revisões corretamente e se preocupado muito em cuidar dos detalhes mecânicos do carro''. Ele admite que comumente elas desgastam mais algumas peças ou deixam de fazer as trocas de óleo corretamente, porém seus carros têm como ponto positivo a baixa quilometragem. ''Seja por medo de ficarem com o carro na mão ou por interesse mesmo, a verdade é que elas têm procurado a oficina com mais frequência'', observou Lopes.
A consultora Márcia Regina Oliveira, que destacou na oferta de venda de seu veículo a expressão ''carro de mulher'', confirma que é supercuidadosa, pois zela pela própria segurança. ''Me preocupo com as trocas de óleo, de água e cuido da manutenção. Isso é fundamental para não ficar com o carro na mão e não ter prejuízo futuro''. Sobre o anúncio nos classificados ela disse que tem certeza que o fato do automóvel ser de mulher ajuda a vendê-lo. ''Esse meu carro era de outra mulher. Também era muito bem cuidado. Eu continuei fazendo o mesmo'', reforça a consultora.
A corretora de imóveis, Fernanda Charif, acredita que não terá dificuldades em vender seu carro. ''Mulher é bem mais cuidadosa, não força tanto o automóvel, anda pouco com ele e o mantém sempre limpinho'', pontua. ''O anúncio foi feito destacando a expressão carro de mulher'', brincou Fernanda. Ela admite que não é muito boa com a parte mecânica, mas conta com a ajuda do marido que a lembra de todas as revisões a serem feitas. ''Não tem erro, carro de mulher não dá problemas como algumas pessoas dizem. Esse meu carro era de uma médica que cuidava muito bem dele. O automóvel do meu marido também era de uma mulher e ele nunca reclamou'', disse.


