As vendas de veículos pela Internet no Brasil respondem hoje por no máximo 2% do faturamento das concessionárias, segundo pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Essa participação deve mudar a partir deste ano, com o lançamento de vários sites especializados no comércio automobilístico.
Consultores e investidores apostam que, em pouco tempo, pelo menos 40% dos consumidores usarão e-commerce para adquirir um carro, participação igual à dos Estados Unidos no ano passado. Para este ano, prevê-se que 55% dos norte-americanos que compram automóveis usarão a rede virtual, chegando aos 66% em 2001. No Brasil, a participação deve ficar entre 10% e 15% no próximo ano, mas tendendo a acompanhar os índices dos EUA no curto prazo.
O mercado virtual será a fonte de pesquisa de preços, modelos, condições de pagamento, ofertas e indicação do local da compra, mas o negócio continuará sendo fechado no velho e seguro sistema real, cara-a-cara com o vendedor.
PesquisaA compra direta, que o cliente efetiva via rede, paga on-line e recebe em casa – representou 0,5% dos negócios nos Estados Unidos em 1999, segundo pesquisa da empresa norte-americana Robertson Stephens. Neste ano, prevê-se que 1,5% das vendas sejam concretizadas virtualmente, participação que saltará para 9% em dois anos.
‘‘Não há, ainda, pesquisa desse mercado no Brasil, mas calculamos que, até 2001, de 10% a 15% dos negócios serão originados pela Internet’’, diz o gerente de Produto da Lokau Claudio Silva. O site anunciou neste mês uma associação com o grupo francês Europ@Web e receberá investimentos de US$ 35 milhões em um ano, além de ter fechado um acordo com o provedor Universo On Line (UOL).
Um dos maiores na área de leilões de vários produtos, o Lokau entrou no ramo de automóveis no fim de março. ‘‘O interessado diz o modelo que quer comprar e nós procuramos o melhor preço’’, diz Silva. O grupo tem convênio com mais de 300 concessionárias e lojas de carros usados. Em 12 meses, projeta vendas de 10 mil veículos.
O sócio-diretor da consultoria Arthur Andersen Rogério Aun acredita que o mercado brasileiro vai experimentar, no mercado virtual, níveis de crescimento iguais aos norte-americanos no curto prazo. O fenômeno da Internet no País, diz ele, está ocorrendo quase que simultaneamente ao dos países desenvolvidos.
‘‘A diferença é o número de pessoas que têm computador e a renda’’, ressalta. Para Aun, a indústria automobilística mundial será o grande elo entre a velha e a nova economia, tanto na área voltada ao consumidor quanto no chamado business to business, que envolve a relação das empresas com os fornecedores.
Aun vê no futuro uma nova forma de se negociar, em que a fábrica receberá o pedido de um carro com as características desejadas e este sairá da linha de montagem com o nome do comprador para ser entregue num prazo de até cinco dias. Isso evitaria desperdícios, reduziria os custos com estoques, burocracia, exigiria menos capital de giro e garantiria maior produtividade para a cadeia automobilística. O resultado final será a redução dos preços finais. ‘‘O consumidor vai impor preços, ao passar a comparar e a buscar a melhor oferta’’, diz.
A pesquisa da Robertson Stephens, divulgada em janeiro, mostra que os preços dos automóveis vendidos com apoio da Internet caíram em média 3,8% nos EUA. O número de visitas às concessionárias baixou de 3,6 para 2,4 por pessoa e o tempo médio dessas visitas de 5,5 para 3,2 horas.

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