Vendas podem cair 30% com o fim do acordo automotivo
Agência Estado
O setor automobilístico calcula que as vendas de carros populares podem cair até 30% com o fim do acordo automotivo. Já os preços tendem a subir de 7% a 12%, refletindo o impacto nos custos do pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O presidente da Federação Nacional das Distribuidoras de Veículos Automotores (Fenabrave), Hugo Maia de Arruda Pereira, calcula que a produção brasileira despencaria dos atuais 115 mil veículos por mês para um patamar em torno de 80 mil.
Os executivos das principais montadoras também protestam contra a recusa do governo em prorrogar a vigência do acordo, que termina no dia 26 deste mês. O diretor de Vendas e Marketing da Ford, Ricardo Strunz, alerta para um possível agravamento do problema do desemprego no País.
A advertência é endossada por Antônio Carlos da Silva, diretor da Volkswagen no Rio de Janeiro: Se houver uma queda forte nas vendas é claro que as montadoras vão fazer ajustes, afirmou. E isso pode passar por um corte de funcionários. O executivo lembrou que o acordo automotivo foi acertado com o governo exatamente para preservar os empregos no setor.
O presidente da Fenabrave criticou a postura do governo, que não se mostrou receptivo aos pedidos de prorrogação das montadoras. O governo só está preocupado em arrecadar atualmente, alfinetou Pereira. Ele lembrou que a indústria automobilística vai produzir este ano 22% a menos do que em 1998, que já foi ruim para o setor no segundo semestre. A venda de carros populares é atualmente a principal mola propulsora do setor, respondendo por 70% do mercado nacional.
O presidente da Citroen no Brasil, Sérgio Habib, ponderou que não é interesse do governo deixar um setor tão relevante para economia nacional como o automotivo entrar em crise.





