A indústria brasileira de motocicletas fecha 1996 com um crescimento recorde de 40%, devendo comercializar até o final do ano 280 mil veículos, contra 200 mil doano passado. O bom desempenho é explicado pelos fabricantes por um conjunto de fatores: estabilização, consórcios, queda relativa de preços e modernização dos produtos.
Além disto, o próprio trânsito caótico dos grandes centros está levando à utilização maior da moto como alternativa de transporte. E os jovens estão tendo maior acesso a este veículo, que está custando em média US$ 3 mil, contra US$ 5 mil do início da década.
Diversidade Para este público também ampliaram-se as ofertas de motonetas (até 50 cilindradas) e scooters (lambretas). Entraram no mercado novos fabricantes como a Calói (motonetas) a Átala (scooters e ciclomotores), a Ibramoto (motocicletas, scooters e ciclomotores), além da Susuki, Kawasaki e da Hyosoung.
A ampliação do mercado está gerando também muita disputa e celeuma com os importados, que ainda representam uma parcela pequena e não quantificada das vendas totais.
A intenção é fabricar até 500 mil motos/ano no ano 2000, informa Franklin de Mello Neto, gerente da Abraciclo - Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas.
A indústria de motos teve início no Brasil em 1975, quando a Honda se instalou em Manaus, seguida pela Yamaha e dois outros pequenos fabricantes, a Agrale e a Brandy.
Exigências de índices de nacionalização de 30%, que encareciam o lançamento de novos produtos, são a explicação dos fabricantes para a relativa estagnação do mercado na década de 80. Com a abertura da economia isto mudou.
Em 1992 o índice de nacionalização foi substituído por um outro critério, o Processo Produtivo Básico. A partir de então os fabricantes ganharam liberdade para importar todas as peças, sendo obrigados, em contrapartida, a executar no país as operações de montagem.
Mesmo com a liberdade de importar, muitos fabricantes locais de autopeças foram mantidos. Graças à mudança, a indústria recuperou-se rapidamente do atraso tecnológico, lançando com mais rapidez novos modelos e inovações tecnológicas. O ano de 1992 foi também o ‘‘fundo do poço’’ do setor, quando foram fabricadas 86 mil motos e vendidas pouco mais de 53 mil, uma queda de 51% sobre o ano anterior. Em 1993 a produção caiu ainda um pouco mais, para 83,4 mil, mas as vendas reagiram, passando para 67,9 mil.
Em 1994 foram produzidas 141 mil unidades e vendidas 127 mil, enquanto em 1995 a produção ficou em 217 mil unidades. A produção prevista para este ano não foi divulgada
Honda mantém liderança Mesmo com a profusão de novas marcas de motos importadas ou montadas na Zona Franca, a Honda mantém a liderança absoluta de mercado. As 245 mil unidades que espera vender este ano representam 87,5% do total do mercado quantificado pela Abraciclo, que reúne Honda, Yamaha, Agrale e Brandy.
O crescimento das vendas este ano supera até a marca setorial, ficando em 42%. A empresa explica sua performance pelos preços inalterados há 32 meses, por investimentos na produção e fortalecimento na rede de concessionárias.
A Honda investiu neste ano US$ 40 milhões no aumento da capacidade da fábrica de Manaus e no lançamento de novos modelos, a Honda C100 Dream e a XLR 125.
As motos de 125 cilindradas da empresa continuam as preferidas dos consumidores. A empresa exportou 12 mil unidades, para os EUA, países europeus e da América Latina. Yamaha, a vice-líder, tem 10% do mercado. Deve vender este ano cerca de 26 mil motos, com um faturamento de US$ 100 milhões. O último lançamento da empresa é a XT 225 cilindradas. A Yamaha exporta 15% de sua produção.
Acusações Entre os fabricantes é comum a acusação de que a abertura produziu uma ‘‘bagunça’’, com a entrada de produtos subfaturados e até contrabandeados. Também as novas montadoras, em Manaus, são acusadas de não seguir o Processo Produtivo Básico.
Saulo Filippini, superintendente da Abramoto - Associação Brasileira das Empresas, Indústrias e Montadoras de Motocicletas, que reúne os novos fabricantes, rebate as acusações.
Ele diz que todos seus associados estão dentro das exigências legais. Estão na Abramoto a Átala, Hyosung, Ibramoto, Sundown e Susuki. Para combater o subfaturamento na importação das motos, a Abramoto está preparando sugestões ao governo, como controles alfandegários que utilizem listas de preços, a exemplo do Black Book, livro do governo dos EUA. ‘‘Irregularidades existem, mas também há muita gente séria na praça’’, afirma Filippini. Recém-criada, a entidade ainda não tem estatística da produção de seus filiados.

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