Vendas crescem 25,8% durante o ano de 98
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de dezembro de 1998
Agência Estado 
As marcas de carros das empresas que não têm montadoras no Brasil ganharam mais espaço no mercado este ano e conseguiram até novembro crescimento nas vendas de 25,8%, num total de 56.634 unidades. A previsão da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) é fechar este ano com 62 mil veículos vendidos e o próximo com 65 mil.
Ao contrário da indústria nacional, que amarga o acúmulo de estoques, resultado de um excesso de produção, completamente incompatível com a demanda, que caiu, os importadores acabaram sendo beneficiados pela existência do sistema de cotas. Por meio de uma lei, criada para limitar a entrada de modelos importados, o governo acabou fazendo com que este segmento trabalhasse adequado aos tempos de crises.
Assim, os importadores trazem do exterior volumes pouco acima das 50 mil unidades anuais, permitidas pelo sistema de cotas. O resultado foi um melhor gerenciamento dos negócios. Além disso, as marcas da Abeiva, com grande penetração no segmento de luxo e nichos de mercado - principalmente modelos utilitários e esportivos - foram menos afetadas pela crise, que atingiu prioritariamente as vendas dos carros baratos.
As marcas de importados que não tem fábricas no Brasil, 19 no total, tiveram este ano 4% de participação no mercado. No ano passado, a fatia foi de 2,5%. Mas a tendência é de aumentar ainda mais, já que em novembro a participação desses importados no mercado brasileiro foi de 5%. O importador da marca Citroen, Sérgio Habib, estima que somando as vendas das novas empresas que começam a construir fábrica no País, os chamados newcomers, a participação das novas marcas no mercado chegou este ano a 9,5%.
Para o presidente da Abeiva, José Luiz Gandini, a participação das marcas associadas à Abeiva em 99 deverá manter-se em 4%. Segundo ele, o mercado deverá melhorar a partir de abril ou maio. O aumento de CPMF e Cofins deverá ser compensado pelo Imposto de Importação, em janeiro. A partir do dia 1º o II baixará de 49,5% para 35%. Para as montadoras que produzem no Brasil e para veículos trazidos por meio do sistema de cotas, é cobrada metade da alíquota. Ou seja, hoje o setor recolhe 24,5%. A partir de janeiro, não será mais a metade, mas sim o limite mínimo fixado pela Tarifa Externa Comum (TEC), que é 23%.
Com a redução de 24,5% para 23%, haverá a possibilidade de compensar o aumento de Cofins e CPMF, segundo Gandini. No entanto, ele previu aumento de preços se houver elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 5 pontos percentuais, previsto para janeiro. Os representantes das montadoras estão em Brasília, tentando fazer o governo desistir da elevação do imposto. Gandini acredita que a reivindicação deverá ser atendida para evitar uma crise maior no mercado.
Em novembro, as empresas associadas à Abeiva, venderam 4.977 unidades, o que resultou num crescimento de 18,8% em comparação com outubro. Para Gandini o começo de 1999 deverá repetir o desempenho de novembro. No mês passado, a marca mais vendida foi a francesa Peugeot, com 1.012 veículos, seguida pela coreana Kia Motors (1.009). Em terceiro lugar ficou a japonesa Toyota com 909 unidades, seguida por Mitsubishi (745) e Citroen (505). O modelo mais vendido foi a Besta, da Kia, com 594 unidades, seguida pelo modelo Peugeot 306 (557), Toyota Hilux (478) e Citroen Xsara (374).


