A Ford vai parar totalmente a produção na sua maior fábrica, a de São Bernardo do Campo, com 6 mil empregados, por um período de 12 dias, a partir do dia 28. Em São José dos Campos, a fábrica da General Motors também anunciou férias coletivas, para cerca da metade do efetivo entre os dias 5 e 16 de outubro. Vendas fracas e projeções pessimistas em relação ao mercado nos próximos meses justificam as medidas, segundo os sindicatos de trabalhadores, que foram comunicados da interrupção de produção. As montadoras falam apenas em necessidade de ajustes diante da conjuntura.
Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, João Ferreira Passos, trata-se da terceira paralisação da Ford no ano, na forma de férias coletivas, o que já está comprometendo os períodos de descanso dos empregados até o ano 2001. ‘‘Tem metalúrgico aqui devendo mais de 40 dias de trabalho para a empresa’’, afirmou Passos.
Para ele, a suspensão da produção é preocupante, já que a
montadora conta com jornada flexível de trabalho justamente para momentos assim.
A empresa explicou que pretende ‘‘adequar a produção à
demanda’’, sem informar detalhes sobre estoque ou o possível impacto do pacote de medidas do governo na sua programação. Segundo a comissão de fábrica, representação interna dos funcionários, a Ford está com cinco mil carros encalhados nos seu opátios, sem contar veículos parados na revendas.
A decisão de dar férias coletivas, de acordo com a comissão,
está relacionada a uma projeção de vendas fracas nos próximos meses, afetadas pelo aumento dos juros e pela esperada retração da economia como um todo. A Ford informou que ainda não decidiu se vai parar a produção na sua unidade em Taubaté (SP), com 1,2 mil empregados.
Segundo o diretor do sindicato, é quase certo que aquela
unidade irá funcionar parcialmente no período, com apenas metade do efetivo ligado à produção.
No caso das General Motors, a justificativa para dar férias a
7 mil dos 12 mil empregados de São José dos Campos por 12 dias é fazer um ajuste na produção, tanto a que se destina ao mercado interno quanto aos veículos para exportação. A decisão foi tomada antes do pacote do governo, mas já em clima de acirramento da crise internacional.

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