Venda de usados registra novo recorde
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de janeiro de 2001
Da Redação 
As vendas de veículos usados registraram uma nova marca, considerada recorde, no ano 2000. Lojas independentes venderam um total de 807.754 carros usados no ano passado no Estado de São Paulo. No ano de 1999, um número que já era recorde, foram comercializados 645.466 unidades. A nova marca representa um crescimento de 25,14% nas vendas.
Vale lembrar que as lojas paulistas formam uma espécie de bolsão de veículos no Brasil, e representam mais de 45% do total nacional, interferindo, assim, na evolução ou queda de preços dos demais veículos e outros estados brasileiros.
Os números foram fornecidos pela Assovesp (Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de São Paulo) e pelo Sindiauto (Sindicato do Comércio Varejista de Veículos Automotores Usados no Estado de São Paulo). Para chegar a esses números foi feita uma pesquisa pelo Departamento Econômico e Mercadológico das duas entidades. A rede independente de veículos usados no estado de São Paulo atingiu um faturamento de aproximadamente R$ 8 bilhões em 2000.
Todos os segmentos de veículos usados - caminhões, motocicletas e populares - bateram recorde de vendas. Os caminhões apresentaram um crescimento de 74,81% em sua comercialização em 2000 (120.851 unidades) sobre 1999 (69.131 unidades).
As vendas de automóveis populares chegaram a 478.700 unidades em 2000 contra 335.203 de 99, uma elevação de 42,81%. As motocicletas usadas atingiram vendas de 161.237 unidades no ano passado sobre 122.683 do ano anterior, o que significa um aumento de 31,43%.
Entre os motivos apontados pelo presidente da Assovesp/Sindiauto, George Assad Chahade, para o aumento de vendas de usados estão: a manutenção dos seus preços próximos aos índices inflacionários; o não acompanhamento da evolução e alta valorização do carro zero-quilômetro; redução de carga tributária sobre o usado; remigração do consumidor do mercado informal (feiras, particulares, etc) para as lojas legalmente estabelecidas; otimismo na economia; aumento da rede para 9 mil lojas e, principalmente, a isonomia das taxas de juros entre os carros novos e usados.
Vem aumentando acentuadamente a participação dos financiamentos na compra de um carro usado, devido à redução das taxas de juros que, hoje, para usados não ultrapassam os 2,5%, destaca Chahade.
No ano 2000, os carros usados registraram uma valorização média de 4,22%, contra uma inflação (IGP-M) de 9,95%. Os modelos mais baratos, fabricados antes de 1991, foram os mais valorizados em 2000, uma média de 11,51%. Já os seminovos, de 1997 a 2000, registraram a menor valorização, de apenas 1,24%. Para o consumidor, o carro seminovo hoje é um bom negócio: há uma grande oferta no mercado, com preços atraentes e já depreciado em relação ao zero-quilômetro, enfatiza o presidente da Assovesp/Sindiauto.
Os caminhões foram os mais valorizados entre os veículos usados em 2000 com 11,66%, as motocicletas usadas 2,32%, e os carros populares 5,10%. Os automóveis importados usados sofreram a maior desvalorização: -3,16%.
ExpectativaA expectativa do presidente da Assovesp/Sindiauto para 2001 é das vendas se manterem nos mesmos níveis de 2000, com uma pequena variação entre -2% e 3%. Os preços, se não houver nenhuma mudança na economia, deverão acompanhar a inflação.
As vendas de carros usados no último mês do ano passado foram de 68.096 unidades, o que representa uma ligeira queda de 0,37% em relação a novembro, quando foram comercializados 68.347 usados.
A rede independente de veículos reúne hoje 9.000 lojas em São Paulo, estado que representa 45% do mercado nacional. No Brasil há aproximadamente 20 mil revendas. Atualmente, a rede independente as lojas multimarcas tem uma participação de 55% no comércio nacional de veículos usados, as concessionárias ficam com 20% e o restante mercado informal que é representado pelas vendas em feiras, particulares etc com 25%. A participação do mercado informal nas vendas de veículos usados vem se reduzindo bastante, o que significa que o consumidor está procurando mais segurança comprando em uma loja ou concessionária, onde ele está protegido pelo Código de Defesa do Consumidor, analisa Chahade.


