Venda de caminhões deve cair
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de setembro de 1998
Agência Estado 
A Mercedes Benz, líder do mercado de caminhões, baixou de 57 mil para 55 mil a previsão de vendas de caminhões por toda a indústria automobilística no Brasil este ano. A queda nas vendas prevista ainda é tímida, mas já se baseia no aumento das taxas de juros para vendas financiadas.
Grande parte da venda de caminhões no Brasil hoje é feita por meio do Finame, uma linha de crédito especial do governo. Mas a participação do leasing ainda é representativa, absorvendo mais de 25% do mercado. Até agosto, o mercado de caminhões estava estável, mas a partir de setembro não sabemos o que pode acontecer, disse o presidente da Mercedes Benz do Brasil, Ben van Schaik.
O diretor comercial da Mercedes, Roberto Bógus, informa que as previsões na companhia hoje são feitas mensalmente. Segundo ele, não é mais possível fazer previsões sem levar em conta fatores externos.
A Scania fará uma reunião na próxima semana com gerentes e chefes dos 18 países da América Latina nas quais mantém operações para avaliar o panorama da região diante da crise mundial. A informação é do presidente da Scania Latin, Jorma Halonen. Os executivos da empresa, líder do mercado brasileiro de caminhões pesados, estão preocupados com o crescente cancelamento dos pedidos. Logo depois que o governo cancelou os empréstimos em TBC, elevando a taxa básica de juros, há quinze dias, a montadora começou a registrar suspensão das encomendas.
Muitos clientes fizeram pedidos pela manhã e os cancelaram
à tarde, disse o diretor geral da Scania, Antonio Flavio Mermejo. O aumento nas taxas de juros poderá afetar o mercado de caminhões, muito mais do que o de ônibus. Isto porque um quarto das vendas de caminhões é feita por meio de leasing. Segundo Mermejo, a taxa de juros do leasing subiu de 1,9% para 2,5% ao mês já na semana passada.
O presidente da Scania na América Latina, estima que o mercado de caminhões pesados que somou 18 mil unidades no ano passado poderá cair entre 5% e 10% Para ele, é difícil ainda prever o que acontecerá com o mercado no próximo an. Mas é fácil prever que a crise na Ásia vai continuar e a situação na Rússia tende a piorar, disse. Halonen diz que a empresa aguarda posição do governo em relação ao câmbio.Se desvalorizar a moeda é bom para exportação, mas ruim para o País, disse.
A direção da Scania, que produz 11,5 mil veículos por ano em
toda a América Latina, vislumbra um quadro bastante ruim na Venezuela e queda de pelo menos 10% no mercado do Chile.


