Se assistir a uma corrida de Stock Car é garantia de muitas emoções, estar dentro dela, literalmente, é ainda mais eletrizante. A convite da Goodyear, a reportagem da FOLHA participou de uma volta rápida no Autódromo Ayrton Senna, durante a 10 etapa da Super Final da Stock Car 2011 neste mês em Londrina. A bordo de um Peugeot 307 Sedan, a uma velocidade de cerca de 200 km/h, o circuito de pouco mais de 3 quilômetros foi realizado em menos de dois minutos.
A experiência - ao lado do piloto - é uma mistura de sensações. Antes da entrada na pista, o barulho quase que ensurdecedor dos motores é o combustível que alimenta a ansiedade a cada minuto. No momento, enfim, de entrar no carro, os detalhes a serem observados acabam passando despercebidos devido ao nervosismo e à preocupação. Afinal, apesar da experiência do piloto de teste, a pista não estava nos seus melhores dias - o cancelamento da corrida chegou a ser cogitado em função dos problemas com o asfalto que começou a desmanchar em função do mau planejamento de recape.
Para quem nunca participou da Stock Car, o interior do carro chama bastante atenção. Com uma bela carroceria digna dos modelos sedans, o veículo é todo adaptado por dentro. Com apenas dois bancos bem baixos e canos de ferro por todos os lados, o conforto é praticamente inexistente. Afinal, o quesito principal é a segurança. Neste sentido, o cinto de segurança é reforçado e possui quatro pontas. Além disso, o uso do capacete é obrigatório. Para o piloto, macacão e luvas completam o kit.
Autorizada a saída, o carro já inicia o percurso com uma velocidade anos-luz do costumeiro trânsito urbano. O barulho ensurdecedor já não é mais tão incômodo, pois se torna secundário à adrenalina que toma conta do corpo. A cada segundo o veículo vai ganhando velocidade e, na primeira curva, a sensação é de que não vai virar, mas ir direto contra o muro de proteção. Engano, felizmente. A curva é feita com perfeição, ao menos aos olhos de passageiro, já que o carro sai intacto rumo à nova reta.
Em meio a tudo isso, a noção de tempo e distância se perde, dado o desconhecimento do percurso e a alta velocidade. A pressão contra o corpo, principalmente nas curvas, também é outro ''ingrediente'' sentido constantemente, acompanhado de um leve ''frio na barriga''. Sensações semelhantes às de andar numa montanha-russa, excluindo a parte das descidas e loopings.
Como diante de uma experiência nova tudo pode acontecer, a crise de risos, neste caso, foi incontrolável. Menos mau, levando-se em consideração que algumas pessoas, em alta velocidade, não conseguem controlar os enjoos e vômitos.
Quando menos se espera, a chegada é avistada e logo alcançada. Isso significa o fim da brincadeira. A frenagem, que era uma preocupação, não é brusca como se pensa. Veículo estacionado, é hora de descer. O difícil é dar comando às pernas que tremem insistentemente devido à descarga de adrenalina após a experiência inédita da velocidade atingida. Além disso, a camiseta molhada de suor. Resumo da obra: ''Mais gostoso do que se esperava. E, apesar de tudo, menos veloz do que se imaginava.''

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