Velocidade alta ainda é frequente
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sábado, 20 de outubro de 2001
Fernanda Ongaratto<br> De Curitiba 
Se o número cada vez maior de radares e lombadas eletrônicas nas ruas e estradas ainda não o convenceu a não abusar da velocidade, preste atenção nesses números. Segundo informações do Sistema Integrado de Atendimento a Emergências (Siate), que atende os acidentes de trânsito com vítimas, mais de 90% das colisões e atropelamentos acontecem por excesso de velocidade do motorista.
Segundo o médico do Siate, Ricardo Falavinha, o que deve ficar claro é que excesso de velocidade não significa estar a 100 km/h. ''Quando se fala em excesso de velocidade é estar acima do que é permitido. Quando tem uma placa se referindo a 60 km/h significa que o máximo é 60 km/h, não que essa é a velocidade média. Então se a pessoa passou disso, ela já com excesso de velocidade'', explica.
O excesso de velocidade também é o culpado pelas colisões mais fortes, ou seja, as que causam sempre maiores ferimentos e até morte. O médico diz que um motorista que esteja andando acima de 90 km/h tem 65% de chance de sofrer uma lesão caso se envolva em um acidente. Em contrapartida, aquele que estiver abaixo de 60 km/h e usando o cinto de segurança, dificilmente vai se machucar. ''Quando estamos rápidos, não temos a visão lateral, não conseguimos perceber o que está acontecendo a nossa volta. E correr não significa necessariamente ganhar muito tempo. Se uma pessoa por exemplo, vir da praia a 60 km/h e outra a 80 km/h, a segunda vai chegar cinco minutos antes da primeira. O que isso vai mudar? Porque se arriscar e arriscar a vida de outras pessoas por alguns minutos?'', indaga.
Falavinha conta que, quando um médico chega para atender um acidente, só pelo estado do carro tem como saber se a pessoa estava a 40 km/h ou a 60, 70 km/h e quais as consequências da batida. ''É a Lei da Inércia. Quanto mais velocidade, mais energia. Com um exame do local ou pela lesão da pessoa, dá para saber se estava acima da velocidade ou não'', conta.
Embora os números da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) mostrem que, nos radares, o excesso de velocidade vem diminuindo -em setembro de 1999, 1,9% do volume dos veículos que passaram pelos radares estavam acima da velocidade. Em julho desse ano foram 0,3% do total-, os números registrados nas regiões de competência do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) -o que não inclui Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu e as estradas do Paraná-, mostram que os motoristas ainda estão andando rápido demais. De janeiro a agosto desse ano, foram registradas 8.807 infrações por excesso de velocidade. Dessas, 5.101 foram causadas por motoristas que transitaram em velocidade superior à máxima em até 50%. Só em Curitiba foram 22 mil infrações de trânsito medidas por radares e lombadas eletrônicas nos oito primeiros meses desse ano.
O diretor da Diretran, José Álvaro Twardowski, diz que não se consegue educar sem punir e, por isso, os instrumentos eletrônicos de medição de velocidade, como os radares e as lombadas, são importantes. Tanto é que, desde o dia primeiro de outubro desse ano, quem passar acima da velocidade permitida e for flagrado, não vai mais receber os dois primeiros avisos, como acontecia desde a implantação dos radares há dois anos: agora, quem abusar vai ser notificado. ''Os instrumentos eletrônicos se mostraram meios eficientes para reduzir a velocidade. Nos primeiros seis meses desse ano, 89% da frota de carros de Curitiba não foi multada por radares. Isso significa que, apenas 11% dos motoristas continuam não aceitando a lei. É uma pequena parcela'', diz.
Twardowski diz também que as lombadas e os radares reduziram a gravidade dos acidentes e isso tem feito com que as pessoas percebam a importância deles. ''As pessoas estão aceitando e até requisitando os radares. Temos recebido 20 pedidos por mês para instalarmos redutores de velocidade'', diz, comentando que, hoje já são 52 radares fixos em um móvel em Curitiba e até o final do ano vão ser 65 equipamentos espalhados por todas as regiões da cidade.
O médico do Siate, Ricardo Falavinha, confirma que nos locais onde os radares foram instalados diminuíram mesmo o número de acidentes graves.


