Os dados do Detran do Paraná apresentaram um grande crescimento no número de habilitações da categoria A, específica de motocicletas, nos últimos anos, no Estado. Em 2005, eram 28.646 habilitados. Sete anos mais tarde, fechou com 60.237 habilitados. O impulso tem influência direta das mulheres – apenas 4.839 em 2005 e 23.214 em 2012. A participação feminina dentro da categoria subiu de 17% para 38% no período. Os dados se referem apenas às carteiras nacionais de habilitação (CNH) da categoria A. Somando-se os condutores habilitados também para mais de uma categoria, incluindo a A, o total de aptos a pilotar motos pelas ruas paranaenses chegou a 1.928.422 em 2012 – sete anos antes eram 1.029.970. O total de motocicletas registradas no banco de dados do Detran/PR passou de 458 mil, em 2005, para 935 mil em 2012.
Se há mais motos emplacadas, a procura por cursos de formação, claro, também cresceu. Fabiana Marcovcz, gerente da unidade Bacacheri da Auto Escola Silva, em Curitiba, acompanhou a evolução de perto. "Cada vez mais pessoas buscam a praticidade de deslocamento com a facilidade em adquirir uma moto", avalia.
São exatamente essas duas motivações que levaram o militar Kahuan Nathan Melo, 23 anos, a buscar a habilitação de motos. "Perdi meu carro em um acidente e, atualmente, a moto vai ser a melhor opção por causa do custo-benefício", atesta. Como ele já tem a CNH na categoria B, de carros, o processo é mais simples. "Começa com um exame de vista e autorização do Detran para o início do treinamento, que consiste em 15 aulas práticas de 50 minutos", explica Fabiana.
As aulas levam em conta as necessidades de cada aluno. Osmar Lunardon Neto, instrutor há sete anos, dá dicas e orienta como manter o equilíbrio em cima da moto e a melhor forma de guiar no trecho de testes – uma cópia fiel do trajeto executado na prova do Detran – com segurança e habilidade. "É preciso perceber qual o ponto fraco de cada aluno e ajudá-lo a evoluir, para que saia daqui com uma ótima formação", avalia.
Lunardon, que já trabalhou como motoboy e sofreu três acidentes, aproveita as aulas também para dar dicas de segurança e comportamento no trânsito. "Essa experiência que eu tive é muito boa para orientá-los, já que sei as dificuldades e riscos que vão enfrentar no dia a dia pelas ruas", analisa.
A iniciativa do instrutor mostra-se fundamental no aprendizado, já que o total de motos envolvidas em acidentes com vítimas no Paraná, em 2000, foi de 8.153; em 2012 alcançou 26.815 ocorrências, segundo dados do Detran/PR.
Foi pensando na segurança que o engenheiro químico Alexandre Cabreira, 33 anos, esperou a maturidade para tentar a habilitação de motos. "Sempre fui apaixonado por Harley e outros modelos, ainda quero ter uma para viajar, mas achei que deveria aguardar a hora certa para tirar a CNH. Hoje, mais velho, acho que não farei nenhuma loucura em cima de uma moto", brinca.
Quem não tem habilitação em nenhuma outra categoria e escolheu a A para iniciar o processo tem um caminho um pouco maior para percorrer. Além do exame de vista inicial, são necessários outros dois testes psicotécnicos. Depois de aprovado, o candidato passa por 45 aulas teóricas, de 50 minutos cada, que antecedem o exame teórico do Detran. "Na prova temos 30 questões e o aluno precisa acertar, pelo menos, 21 questões", explica Fabiana. Após a aprovação, começam as atividades práticas – são 20 aulas de 50 minutos cada. O teste prático é agendado na sequência. O custo para quem passa por todo o processo é de aproximadamente R$ 1 mil com o curso, mais R$ 370 de taxas do Detran. Para quem já tem CNH em outra categoria, o curso fica em R$ 485, mais R$ 190 das taxas do Detran.

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