Pela nova lei que entra em vigor este mês o uso do cinto será obrigatório em todo o País Segundo o novo Código Nacional de Trânsito, que entra em vigor neste mês, passa a ser obrigatório o uso do cinto de segurança por todos os ocupantes dos veículos. Embora alguns aleguem que essa obrigatoriedade é uma ingerência do Estado numa decisão que só diria respeito ao próprio cidadão - o mesmo argumento que faz com que, nos Estados Unidos, não exista uma lei federal que obrigue o uso do cinto -, parece que dessa vez deputados e senadores brasileiros conseguiram agradar muita gente.
Nas últimas décadas, a indústria automobilística mundial passou a conviver com air bags, freios ABS, cintos pirotécnicos e zonas de absorção de impacto nas carrocerias. Mas engenheiros e médicos continuam concordando em um ponto: o uso do cinto de segurança ainda é o mais importante fator na prevenção de consequências graves em caso de colisão.
‘‘O air bag sozinho não resolve. É preciso que se use o cinto’’, adverte Carlos Henrique Ferreira, engenheiro da Fiat. Segundo o engenheiro, os equipamentos de segurança dos carros atuais efetivamente minimizam as consequências dos acidentes, mas devem ser considerados como recursos complementares já que, isoladamente, são insuficientes.
A eficácia do cinto também é endossada por quem convive diariamente com acidentados, como o co-fundador dos Anjos do Asfalto, Dr. Jan Guilherme de Aguiar. ‘‘Nos últimos dois anos, quando se intensificou a campanha pelo uso do cinto, houve uma redução expressiva na gravidade dos traumas decorrentes de acidentes’’, afirma o médico, que atua há 11 anos na Via Dutra - a rodovia mais movimentada do país.
O presidente da Associação Brasileira de Acidentes e Medicina de Tráfego - Abramet -, Fábio Racy, define a utilização do cinto como ‘‘indispensável e imprescindível’’. Para Racy, todos os passageiros de um veículo devem usar o cinto sempre. A função do cinto de segurança é, basicamente, segurar o corpo da pessoa junto ao banco, evitando que a desaceleração súbita e o impacto tenham consequências mais drásticas. Numa colisão, uma quantidade de energia é liberada. Parte dessa energia vai ser absorvida pela carroceria do carro e parte será absorvida pelo cinto e pelo corpo dos ocupantes. Nesse aspecto, os carros mais modernos são mais seguros, pois têm zonas de absorção predeterminadas. Mas mesmo essa absorção tem um limite.
A desaceleração e o impacto têm consequências drásticas sobre o corpo humano. A primeira provoca um chacoalhamento dos órgãos internos do corpo e também do cérebro, podendo ocasionar hemorragias. Já o impacto contra o interior do veículo implica na ruptura de órgãos, vasos e vísceras. É justamente aí que entra o cinto - evitando ou pelo menos minimizando os efeitos devastadores das colisões sobre motorista e passageiros. Pela nova lei, o uso é obrigatório não só nas estradas mas também dentro de todas as cidades brasileiras e para todos os ocupantes do veículo. O não uso do cinto, acarretará multa de R$ 109.

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