Ele é um dos itens de segurança mais importantes do carro, mas nem sempre é levado a sério. O encosto de cabeça na posição correta, segundo especialistas em coluna, pode ser a diferença entre o paciente sair andando ou ficar para sempre numa cadeira de rodas depois de um acidente.
E para quem acha que o risco de lesão grave só existe se a pessoa sofrer um acidente em alta velocidade, se engana. Segundo os médicos, numa velocidade de 40 km/h, uma simples batidinha pode causar o ‘‘chicote’’ (a cabeça vai para frente e volta violentamente), que é uma das principais causas dos traumas de coluna. Mas ele pode ser evitado com uma simples precaução: usar o encosto do banco do carro na altura dos olhos.
O cinto de segurança e o air-bag ajudam em batidas e diminuem o impacto da desaceleração repentina, mas o encosto é quem protege o pescoço da hiperflexão (movimento para frente além do limite) e hiperextenção (movimento para trás além do limite).
Em acidentes de carro, teoricamente, lesões na coluna cervical (altura do pescoço) são mais comuns do que lesões na coluna toráxica ou lombar. Isso acontece porque a cervical não tem apoio, enquanto que a toráxica está segura pela cinto de segurança e a lombar pelo peso do corpo.
Especialistas em coluna garantem que o encosto pode salvar o motorista da cadeira de rodas ou até da morte.‘‘Se ocorrer uma lesão nas duas primeiras vértebras da coluna, a pessoa pode ter morte instantânea. Se a lesão for mais para baixo, pode resultar até em uma paraplegia’’, explica o ortopedista Fernando Dalmo Borges.
Os médicos lembram que tanto o motorista quanto os passageiros têm que estar preocupados com o ajuste do encosto. E em caso de acidente, a orientação é para que se espere a chegada do Siate, que, de maneira correta e sem riscos, irá fazer a remoção da vítima para o hospital mais próximo.
O neurocirurgião Daniel Santos diz ainda, que por mais bobo que o acidente possa parecer, nunca se pode desconsiderar a possibilidade de traumas. ‘‘Até se prove o contrário, todo paciente que sofreu um acidente tem lesão cervical’’.
O neurocirugião explica a preocupação. ‘‘Em alguns casos, a pessoa não sofreu um trauma grave, mas se ficar se movendo, pode ocasionar alguma lesão mais séria’’.
Dr. Santos dá uma dica: ‘‘Quem sofrer um acidente e estiver sozinho, não deve se mexer. A única coisa que pode fazer é pegar o celular sem mover o corpo e ligar para o Siate avisando do acidente’’.

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