Usinas de álcool podem suspender corte da cana
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sábado, 12 de setembro de 1998
Agência Estado 
Usinas da região de Ribeirão Preto acenam com a possibilidade de antecipar o final da safra deste ano, marcada para dezembro. Segundo Jairo Balbo, da Usina São Francisco, de Pradópolis, as 35 usinas associadas à Copersucar podem suspender o corte dentro de 15 ou 20 dias, dependendo dos estoques de cada uma. A principal causa apontada é o elevado estoque de álcool e os baixos preços que o produto vem conseguindo no mercado, de R$ 0,23 a 0,27 o litro.
Da safra do ano passado restaram 2 bilhões de litros
estocados. Os tanques das usinas já estão no limite e não é mais viável ficar alugando outros tanques ou vendendo o álcool por preços muito baixos, afirmou Balbo.
A crise no setor se agravou a partir do momento em que as
usinas, para evitar o estoque de álcool ainda maior, destinaram uma maior parte da cana colhida para a produção de açúcar e isso, unido à crise internacional, fez com que os preços do produto também caíssem.
Com a superprodução de açúcar, os preços atingiram um dos índices mais baixos da década, disse o empresário Gustavo Simioni, ex-presidente da Usina São Geraldo, que hoje faz parte da Companhia Energética Santa Elisa. Segundo ele, a produção de açúcar cresceu 5% em relação ao ano passado, enquanto a produção de álcool caiu 10%. Com isso, a produção de açúcar deverá saltar de 3,9 milhões de toneladas para 4,2 milhões de toneladas, o que representa 25% da produção nacional.
O presidente da Santa Elisa, Maurílio Biagi Filho, acredita
que o prejuízo do setor pode chegar a R$ 4 bilhões. O ideal seria manter 10% da cana em pé, reduzir ainda mais a produção de álcool e açúcar e não mais esperar medidas do governo, disse ele. O empresário acredita que a retomada da produção de carros a álcool pelas montadoras e aumento da adição de álcool na gasolina são medidas que surtirão efeito apenas a longo prazo.
Biagi afirma que somente a Santa Elisa suspendeu nessa safra a produção de 100 milhões de litros de álcool provenientes da Usina São Geraldo e deverá usar os tanques da São Geraldo para estocar os 300 milhões de litros que espera produzir nessa safra. Até o mês de agosto, as empresas haviam colhido cerca de 60% do total dos 88 milhões de toneladas de cana previstos para este ano, numa área de 900 mil hectares.


