Rolândia – Os alemães da família Bartz desembarcaram pela primeira vez no Brasil na década de 1930. Um problema cardíaco da matriarca levou o clã de volta à Alemanha pouco tempo depois. Passada a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a família retornou, em 1960, fixando residência em Rolândia.
Herbert Bartz, hoje com 73 anos, tinha 23. Chegava cheio de empolgação para lidar com a lavoura, tanto que na década seguinte mudaria o jeito de plantar no Brasil, trazendo o plantio direto para o país. Junto de sua empolgação, ele trazia na bagagem uma preciosidade: um Unimog 1957.
Fabricado pela Mercedes-Benz, o valente 4X4, que é a sigla para Universal Motor Gerat – dispositivo motorizado universal, numa tradução livre – foi desenvolvido pelos alemães para ser um veículo de trabalho, usado nas lavouras, capaz de carregar pessoas, implementos, encarar qualquer terreno e fazer as vezes de trator, sendo capaz de puxar até um pulverizador com 25 metros de largura. Na viagem do porto de Santos até Rolândia, no tempo que o asfalto chegava só até Ourinhos (SP), o Unimog dirigido por Bartz já dava pinta de que iria fazer história na nova pátria. ‘‘Fiz a viagem toda puxando uma carreta de cinco toneladas. Por onde passava, todo mundo olhava’’, lembra.
Apaixonado pelas engrenagens pelo fato de ter trabalhado na Alemanha, ainda rapazote, em uma oficina mecânica da Mercedes que vendia Unimogs; em tempos de vacas magras na lavoura ele comprava e revendia os 4X4 que aos poucos iam se popularizando pelo Norte do Paraná.
Contudo, a frota de Unimogs circulantes pelo Brasil nunca foi grande. Tanto que o utilitário, que continua sendo fabricado pela Mercedes-Benz, é raridade. É por isso que Herbert Bartz trata com carinho o que mantém em Rolândia, também fabricado em 1957 e conservado todo original. ‘‘Hoje é muito difícil achar por aqui um Unimog em condições de andar. No final do ano passado, junto do amigo Celso Inocente, que já faleceu, saí a procurar por algum. Fomos até o interior de São Paulo. Achamos três. Porém, todos estavam incompletos, sem condições de andar. Mesmo assim, ninguém quis vender’’, destaca.
Não é para menos. Quem gosta de motor se encanta com o ‘‘dispositivo motorizado universal’’. A ficha técnica do Unimog já ‘‘cinquentão’’ ainda impressiona: o motor é de 32 HP, quatro cilindros, 1.800 cilindradas, tração nas quatro rodas, com bloqueio de diferencial. O eixo é portal, ou seja, mais alto, o que ajuda a transpor terrenos ‘‘calejados’’. Tem um guincho dianteiro para 20 toneladas e um traseiro para 30 toneladas. São seis marchas para frente e duas para ré. Das dianteiras, duas operam na versão super reduzida. A velocidade máxima é de 60 km/h. O combustível é diesel. ‘‘Os engenheiros que fizeram o projeto tinham visão futurística’’, comenta Bartz.
Tudo isso fez com que a paixão fosse transmitida de uma geração para outra. Johann, filho de Bartz, também se entusiasma ao volante do Unimog. ‘‘Já tivemos caso de um caminhão atolado que nem uma patrola conseguia puxar. Fomos lá com o Unimog e rapidinho, prendendo o guincho traseiro numa árvore e usando a força do dianteiro, fizemos o desencalhe’’, relata.
A Mercedes-Benz tem novas versões para o Unimog, que continua sendo vendido para o mundo todo. Na América do Sul, o 4X4 alemão serve principalmente aos Exércitos. Chile, Peru e Argentina são exemplos de países que empregam o Unimog nas suas forças armadas. No Brasil, quem utiliza é a Força de Fuzileros da Esquadra, da Marinha. Contudo, Bartz não pensa em ter um dos novos. Prefere seu velho amigo, uma relíquia, que um dia ajudou a impulsionar a agricultura do Paraná.

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