Unidade VW/Audi inova na produção
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de novembro de 1998
Samuka Lopes São José dos Pinhais 
O automóvel VW Bora, recém-lançado no mercado europeu, pode ser o terceiro carro a ser fabricado na unidade VW/Audi, instalada em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. O Bora tem a mesma plataforma do novo Golf e do Audi A3.
A unidade paranaense terá os mesmos equipamentos e conceitos de produção das demais fábricas do grupo instaladas na Alemanha. Mas inova num aspecto considerado essencial. O grande diferencial está no conceito de que as áreas básicas da linha de montagem (armação, pintura e montagem final) devem estar permanentemente em comunicação. Isto determinou o layout de construção do parque fabril VW/Audi: as três áreas convergem para um prédio de forma triangular, chamado Centro de Comunicação. Coração da fábrica, será passagem obrigatória para quem entra e sai da unidade, como relata texto elaborado pela assessoria de imprensa da montadora.
A integração entre as áreas, a partir da disposição física dos prédios, contribui para que os diversos setores da produção tenham conhecimento e controle de todo o processo, diz Geraldo Rangel, responsável pelo gerenciamento da implantação da Unidade Curitiba. Acreditamos na comunicação como ferramenta para assegurar a qualidade final do produto, e o layout que desenvolvemos deve garantir agilidade no fluxo de informações na produção, salienta, Rangel.
Segundo Nikolaus Feil, diretor da VW do Brasil, a unidade de São José dos Pinhais está pronta para fabricar carros com a plataforma A, onde ainda são montadas as carrocerias do Seat Toledo (da VW na Espanha) e o Skoda Octávia (da VW da República Tcheca).
Também podemos produzir carros da plataforma B (leia-se Passat Alemão e Audi A4), mas isso demandará mais tempo e trabalho, conta Feil.
Os produtos (A3 e Golf), que sairão da linha de montagem da nova unidade da VW devem ter preço reduzido entre 6% e 10%. A produção do A3 começa em fevereiro e a do Golf no mês de maio. A fábrica será inaugurada em janeiro de 99.
A empresa produzirá os dois modelos também para o mercado externo: o Audi A3 será vendido para a Europa e Argentina, enquanto o Golf, na versão duas portas, terá como destino o mercado norte-americano.
Nikolaus Feil explica também que o A3 terá, no início da sua produção 35% de componentes nacionais, enquanto o Golf pode chegar a 48%. A empresa também terá uma unidade de estamparia, que não estava prevista no projeto original. O setor deve iniciar a produção em maio.
Assim, na primeira etapa, a carroceria (laterais e teto) e as portas serão importadas da Alemanha para a produção do Audi A3. O motor também chegará até a fábrica de motores de São Carlos (SP) desmontado. Em São Carlos, o bloco do propulsor, produzido na Alemanha, receberá outros componentes para depois seguir para São José dos Pinhais. O câmbio é produzido na Argentina. Na unidade paranaense serão investidos US$ 750 milhões.
A fábrica está instalada em uma área de 2 milhões de metros quadrados e terá capacidade inicial para produzir 700 veículos/dia, com previsão de 150 mil a 160 mil automóveis/ano após 2001.
A unidade vai utilizar tintas a base de água. Na cabine de pintura foram investidos US$ 170 milhões e foi construída segundo padrões das mais avançadas fábricas europeías, e é hoje uma das mais modernas do mundo. A principal vantagem é ambiental. Além de reduzir emissões, a utilização de água como solvente torna menos nocivos os efeitos sobre o meio ambiente. A unidade de pintura conta ainda com filtros capazes de reter 99% das emissões sólidas e um sistema de produção por lotes, que permite pintar de cinco a dez carros de uma mesma cor, economizando tempo, energia e solventes.
Os efluentes, resíduos líquidos resultantes do processo industrial, também recebem atenção especial. A água empregada no pré-tratamento - fase inicial da pintura e única em que a água não é reaproveitada pelo próprio processo -, passa por uma estação de tratamento antes de ser devolvida ao meio ambiente.


