O automóvel VW Bora, recém-lançado no mercado europeu, pode ser o terceiro carro a ser fabricado na unidade VW/Audi, instalada em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. O Bora tem a mesma plataforma do novo Golf e do Audi A3.
A unidade paranaense terá os mesmos equipamentos e conceitos de produção das demais fábricas do grupo instaladas na Alemanha. Mas inova num aspecto considerado essencial. ‘‘O grande diferencial está no conceito de que as áreas básicas da linha de montagem (armação, pintura e montagem final) devem estar permanentemente em comunicação. Isto determinou o layout de construção do parque fabril VW/Audi: as três áreas convergem para um prédio de forma triangular, chamado Centro de Comunicação. Coração da fábrica, será passagem obrigatória para quem entra e sai da unidade’’, como relata texto elaborado pela assessoria de imprensa da montadora.
‘‘A integração entre as áreas, a partir da disposição física dos prédios, contribui para que os diversos setores da produção tenham conhecimento e controle de todo o processo’’, diz Geraldo Rangel, responsável pelo gerenciamento da implantação da Unidade Curitiba. ‘‘Acreditamos na comunicação como ferramenta para assegurar a qualidade final do produto, e o layout que desenvolvemos deve garantir agilidade no fluxo de informações na produção’’, salienta, Rangel.
Segundo Nikolaus Feil, diretor da VW do Brasil, a unidade de São José dos Pinhais está pronta para fabricar carros com a plataforma ‘‘A’’, onde ainda são montadas as carrocerias do Seat Toledo (da VW na Espanha) e o Skoda Octávia (da VW da República Tcheca).
‘‘Também podemos produzir carros da plataforma ‘‘B’’ (leia-se Passat Alemão e Audi A4), mas isso demandará mais tempo e trabalho’’, conta Feil.
Os produtos (A3 e Golf), que sairão da linha de montagem da nova unidade da VW devem ter preço reduzido entre 6% e 10%. A produção do A3 começa em fevereiro e a do Golf no mês de maio. A fábrica será inaugurada em janeiro de 99.
A empresa produzirá os dois modelos também para o mercado externo: o Audi A3 será vendido para a Europa e Argentina, enquanto o Golf, na versão duas portas, terá como destino o mercado norte-americano.
Nikolaus Feil explica também que o A3 terá, no início da sua produção 35% de componentes nacionais, enquanto o Golf pode chegar a 48%. A empresa também terá uma unidade de estamparia, que não estava prevista no projeto original. O setor deve iniciar a produção em maio.
Assim, na primeira etapa, a carroceria (laterais e teto) e as portas serão importadas da Alemanha para a produção do Audi A3. O motor também chegará até a fábrica de motores de São Carlos (SP) desmontado. Em São Carlos, o bloco do propulsor, produzido na Alemanha, receberá outros componentes para depois seguir para São José dos Pinhais. O câmbio é produzido na Argentina. Na unidade paranaense serão investidos US$ 750 milhões.
A fábrica está instalada em uma área de 2 milhões de metros quadrados e terá capacidade inicial para produzir 700 veículos/dia, com previsão de 150 mil a 160 mil automóveis/ano após 2001.
A unidade vai utilizar tintas a base de água. Na cabine de pintura foram investidos US$ 170 milhões e foi construída segundo padrões das mais avançadas fábricas europeías, e é hoje uma das mais modernas do mundo. A principal vantagem é ambiental. Além de reduzir emissões, a utilização de água como solvente torna menos nocivos os efeitos sobre o meio ambiente. A unidade de pintura conta ainda com filtros capazes de reter 99% das emissões sólidas e um sistema de produção por lotes, que permite pintar de cinco a dez carros de uma mesma cor, economizando tempo, energia e solventes.
Os efluentes, resíduos líquidos resultantes do processo industrial, também recebem atenção especial. A água empregada no pré-tratamento - fase inicial da pintura e única em que a água não é reaproveitada pelo próprio processo -, passa por uma estação de tratamento antes de ser devolvida ao meio ambiente.

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